quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A nossa verdade



Hoje perdi uma parte da minha tarde (efectivamente aplica-se bem o verbo perder, pois foi tempo gasto com uma inútil diligência) a assistir às declarações políticas dos vários partidos com assento parlamentar.
Tenho resistido em escrever nos últimos dias, não por sentir um vazio de ideias, ou consciência pesada por o que penso, digo, ou escrevo, pura e simplesmente por achar uma veleidade intelectual pensar que se pode ter uma opinião, seja ela qual for, na pobreza avassaladora que vivemos hoje. Será sempre volátil e despropositado o que escrevo numa pátria em que crianças têm fome e em que os velhos morrem sozinhos, para não aborrecer os filhos com a maçada de terem que aguentar o fardo da sua partida.
A verdade é que somos governados por garotos, custa-me assistir nos debates, à postura pueril e cândida, que os nossos eleitos nos presenteiam, qualquer hagiógrafo extraia um prazer imenso a compilar biografias de tão doces criaturas, não fosse a real percepção de serem eles em si mesmos, a raiz do problema.
O que quero dizer neste texto, é no entanto, outra coisa porventura mais grave, quero sublinhar a candura e condescendência com que admitimos todos nós que esta encenação continue, estamos de tal maneira familiarizados com ela, que já nos é indiferente.
Esta patranha, quase que sincera, transformou-se com a colaboração das circunstâncias, numa verdade mentirosa com a qual comungamos com excesso de humanidade, tornou-se de tal maneira passiva a forma como encaramos a nossa vivência colectiva, que a dissimulação erigida em método organizado, já conduz as nossas vidas de uma forma natural, já não distinguimos o progresso, de um simples juízo de gosto.
É um exercício de masoquismo intelectual comentar seja o que for que venha da partidarite instalada, sinceramente, já nem quero enumerar as infinitas razões que nos levaram à mentira, o embuste sobre o conteúdo é tal, que a fraude é já a natureza da coisa pública, podem-me dar uma arma, e retirar-me a ilusão de que com esforço podemos inventar, um mundo menos cómodo, mas mais justo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Relvas apoia FENPROF



No dia em que os professores invadiram as galerias, da apregoada pelos mesmos de casa da democracia, no dia em que estes, ou melhor os bandalhos que os representam fizeram saber mais uma vez que não admitem fazer o exame, uma voz inesperada surgiu em seu apoio.
Miguel relvas fez saber que está solidário com os professores, disse claramente que isto de exames não avalia o conhecimento adquirido, ele compreende melhor que ninguém a fúria dos professores. Tem algum jeito isto de terem de fazer exames para demonstrar qualquer capacidade?
Miguel relvas, num comunicado que fez chegar ao Tuga Banal, deixou vincada a sua revolta com esta questão e assumiu o seu apoio claro e inequívoco aos professores. Relvas foi ainda mais longe e ofereceu-se para criar um gabinete de apoio à FENPROF para mediar as negociações de condições de equivalência para todos. Está salva a educação com todos estes intervenientes…


domingo, 1 de dezembro de 2013

1º de Dezembro 2013 - O princípio do começo do fim...



Estou hoje profundamente triste, não é daquelas tristezas imbuídas em revolta que podem até ser factor de motivação, é daquele tipo de tristeza acomodada e melancólica, é aquela consternação do tipo fado, de que é assim, e que não há mais nada a fazer a não ser aceitar, balbuciando de lágrima no olho, paz à sua alma e que a terra lhe seja leve.

Quando um Estado-Nação deixa de comemorar oficialmente a sua soberania e independência, é porque já não sente colectivamente que esses valores são importantes, é o começo do fim de uma nação. Aboliu-se o mais antigo feriado da nação, faz hoje 373 anos da restauração da nossa independência. Qual a data que define um povo com 900 anos de história?

Levem Abril e Maio, levem até o Junho, levem o Outubro, mas devolvam-nos a dignidade e a honra de um povo independente, que se devia comemorar hoje!