terça-feira, 19 de novembro de 2013

Teatro D. Luiz




Hoje fiz alguma pesquisa para a minha cruzada de voltar no tempo a avisar D. Carlos do regicídio, já algum tempo que não tinha uma tarde sossegada para dedicar a esta causa, estive a analisar as cartas de D. Carlos trocadas com o João Franco, que o João depois publicou em livro (a partir de agora vou referir-me a ele apenas como João, começo a familiarizar-me com o ele) em 1924 com o título “Cartas D'El-Rei D. Carlos I”. E já que estava numa de correspondência, seguiu-se a correspondência da Rainha D. Amélia de Orleães com D. António Correa de Bastos de Pina, Bispo de Coimbra, confessor da Rainha e Padrinho do Infante D. Manuel que viria a ser o desventurado “Rei-Saudade”, o Bispo de Coimbra tinha uma ligação muito próxima com a Rainha (começo por dizer que era um homem notável, será um elemento crucial nesta minha divagação de ficção literária) e foi um dos homens mais influentes do seu tempo.

Depois como é natural tinha de ler os jornais do dia, tinha de saber as notícias fresquinhas de 6 de Julho de 1906, até li os classificados, gostei do jornal do partido republicano “Resistencia” publicado ao Domingo e às quintas, como chegarei numa sexta tive que ler o jornal da quinta, diga-se que já não era barato paguei 40 reis por ele. Chamou-me à atenção as notícias das festas da Rainha Santa, não pelas festividades, mas pela distribuição municipal do gás para iluminação das ruas, também um artigo na secção de “literatura e arte” com o título de “Um dia em Paris”. Mas o que me fez sentir um cidadão de pleno direito (por conhecimento de causa, ou melhor por já ter assistido ao mesmo 100 anos depois) naquela manha de 6 de Julho de 1906, foi um anúncio de venda de um terreno, que aqui partilho com o leitor:




Bem 107 anos depois o mesmo imóvel se encontra nas mesmas condições, isto deve tender a ser cíclico, hoje é um imóvel vergonhoso e fantasma no coração de uma zona de património da humanidade, cortesia da UNESCO, é o Teatro Sousa Bastos.

Bem e posto isto, naturalmente ressabiado com a analogia, achei que tinha que arranjar um compincha para os copos, daquele tempo, queria alguém boémio e conhecedor dos vícios e das andanças político-literárias da época, escolhi o João evangelista de Campos Lima. Quando bebemos a primeira bica juntos, no Café Lusitano na rua Ferreira Borges, nessa futura e longínqua manhã de 6 de Julho de 1906, ele ainda estava a leste de vaticinar que volvidos 3 anos estaria em Lisboa a discursar em comícios do partido republicano, nem imaginava sequer que dali a um ano seria expulso da Universidade por dois anos.

Bem não quero alongar-me mais sobre a crise académica de 1907, será tema que abordarei mais tarde, dizer apenas que me parece actual, acreditarem que tinha de morrer a Universidade velha, para renascer uma nova, liberta do “Foro Académico”, liberta dos preconceitos e amarras que travam o livre pensamento…

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