quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Vão trabalhar, malandros!



Esta coisa, não me ocorre nenhum adjectivo para classificar essa tal de coisa de que vou falar, nem em grau, nem em número, nem mesmo na real importância (que não tem), por isso fica só assim, coisa. Assim, esta coisa dos funcionários públicos terem que trabalhar mais uma hora, faz-me chorar de rir, lembra-me aquela anedota do compadre alentejano, que se levantava todos dias de madrugada para conseguir estar mais tempo sem fazer nada.

É disto que se trata, obrigar os camaradas e companheiros a estarem mais uma hora sem produzir nada, e não pensem que é fácil, imagino a dificuldade de tão árdua tarefa, têm de fazer mais uns posts no facebook, ler mais uma tretas em bolgs como este que se traduzem em pura perda de tempo, jogar mais um bocado de farm ville, e ao mesmo tempo tentarem manter uma pose de irritados, carregadores de tal fardo que nem Cristo o trocava pela cruz.

Quando penso por outro lado na votada constitucionalidade de tal norma no palácio ratton ai não consigo parar mesmo de rir, então as divinas cavalgaduras dos magistrados deram como constitucional esta coisa? E agora? Vão se queixar onde, ou o TC só é sagrado quando nos dá jeito?

Para tentar perceber como vão passar esta hora a mais aderi a um dos muito grupos no facebook intitulados de “Que se lixe a Troika”, estava certo que era aqui que ia encontrar muitos funcionários públicos, pensei também que eventualmente ia encontrar livres-pensadores, cidadãos interessados em promover a diferença pela postura e pela inteligência. Nada mais errado, parece um concurso de quem manda a melhor boca, não estou a perceber a grandiosidade da diarreia mental. Nestes grupos e também na sociedade em geral pois destes grupos se consegue extrapolar uma panorâmica mais geral, vive-se aquartelado numa luta de classes, que a continuarem a guerrear-se acabarão por se destruir mutuamente.

Devíamos estar mais atentos ao que a história repetidamente nos tem ensinado, sempre que se acentua a diferença entre pobres e ricos, crescendo o contingente da miséria, floresce o terreno onde se cultivam os tiranos.

A nossa sorte é que somos todos uns tugas suaves…


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Manifestação da autoridade na corrida dos degraus



Perguntaram-me hoje, o que sente um tuga banal quando vê uma manifestação de polícias a subir a escadaria da Assembleia da República. Ainda pensei talvez uns 5 segundos, mas o brilho dos meus olhos e o sorriso amarelo denunciaram-me logo. É tremendamente óbvio que um tuga banal fica deliciado com estas avarias dos polícias e dos GNR’s, e dos trafulhas da ASAE, e mais dos cães polícias e afins. Eu quero é vê-los a subir escadas, longe das rotundas e da A1, e das balanças e das facturas, e dos radares.
Aliás acho que deviam fazer estes exercícios de subir escadas todos os dias, na AR, no bom Jesus de Braga, nas escadas monumentais em Coimbra, em todas as escadarias espalhadas pela tugolândia. Era um sossego, a malta podia levar mais peso nos transportes, esquecer-se das guias, acelerar mais sem medo dos radares e até beber mais aquela mini. Era um bom contributo para a produtividade, para o bem-estar geral dos tugas e até era bom para abaterem as barriguinhas, era perfeito.

Agora uma coisa é certa, a próxima vez que os vir a dar bastonadas em garotos barbudos e guedelhudos, daqueles que têm as orelhas e os narizes cravados de pingos de solda e parafusos, que parece que não tomam banho há uma semana, sou eu que me revolto e pego numa bela barra ferro e me viro a eles, se não batem nos colegas graúdos também que não batam nos garotos e nas garotas, que da mesma forma têm o direito de manifestação…disse



E os Bêbados...?



Volto hoje a erguer a voz contra as injustiças, na defesa dos desprotegidos, amanhã é a votação global do OE e ainda não ouvi ninguém a defender os Bêbados!

Que culpa têm os bêbados do estado a que isto chegou? Não seria mais suportável esta conjuntura se andássemos todos permanentemente bêbados?

Ora ainda dou de barato o aumento do imposto especial sobre o Tabaco, que terá impacto directo no bem-estar comum, assim como no custo do serviço nacional de saúde, compreendo que se carregue mais imposto nesses ferozes poluidores que conduzem carros velhos a gasóleo, agora o aumento de 7% no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA) deixa-me profundamente revoltado.

Porquê o vinho e não a coca-cola? Porque não a Pepsi (todos os tugas estarão de acordo) em vez da aguardente? Não se trata de escolhas individuais? Até por razões culturais e de desenvolvimento económico da produção nacional, se devia incentivar o consumo do vinho!

Num Portugal não muito longínquo, do cada vez mais popular e saudoso “botas”, um trabalhador rural ganhava a “jorna” na qual fazia parte integrante a denominada “data”, que correspondia a dois litros de vinho. A coisa funcionava assim, o trabalhador levava a sua vasilha que tinha de medir um litro, e enchia-a de manhã, quando à noite voltava do trabalho voltava a enche-la para levar para casa. Ora isso sim era dignificar e valorizar o trabalho de um homem. Até no antigo Egipto os escravos tinham direito à sua porção de cerveja na ração diária (pensavam que se construíam obras maravilhosas como as pirâmides do nada? A cerveja é o segredo de todas as grandes obras).

Todos os tugas deviam ter direito a uma distribuição gratuita diária de vinho e cerveja, vou até mais longe, o rendimento mínimo devia ser entregue em pão, toucinho, vinho e azeitonas. Nada de outras carnes ou iguarias, que são só para gente fidalga.

A previsão de receitas no OE para 2014 em IABA é de 181,6 milhões de euros, se todos os tugas deixarem de beber vão buscar o “guito” onde? É a prova da real importância dos bêbados, têm um contributo muito significativo para a sociedade e não têm sindicato nem fazem greves.

Para que não pensem que estou a falar de cor, deixo o quadro do OE da evolução da receita fiscal líquida do Estado 2013-2014, fica-se a saber por exemplo também que a receita do Imposto do tabaco é sensivelmente um terço da receita sobre o lucro da totalidade das empresas, e mais ou menos o dobro da receita da convergência de pensões que o Aníbal “O cruel de Boliqueime” mandou para o constitucional, era caso para o Fernando Pessa (que também gostava do seu copinho) dizer: E esta hein…?

Posto isto, cambada de Chulos, tenham respeito pelos bêbados!

 
 

domingo, 24 de novembro de 2013

Aníbal o Cruel de Boliqueime




Ao enviar a norma de convergência de pensões, para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, o Aníbal atira uma fisgada mais uma vez no sentido dos mesmos, a classe dos tugas pagadores, com um provável aumento do IVA e consequente aumento dos preços a suportar pelas famílias. Estava ele tão sossegado…Mas não… tinham que continuar a pressionar, para ressuscitar “O Cruel de Boliqueime”…

Ironicamente politiza-se cada vez mais um tribunal de devia apenas zelar pelo cumprimento da lei fundamental, existe uma dose de masoquismo na maioria dos actores políticos, negam-se a enxergar que qualquer disparate nos torna mais reféns dos credores.

Quero dizer que em relação a esta matéria me sinto dividido, se por um lado vejo uma larga faixa de reformados que deixaram de trabalhar sem que fosse justificável,com reformas não merecidas, por outro lado entendo que muitas dessas reformas são a rede de segurança, dos trapézios complicados em que se tornaram a maioria dos agregados familiares….

Mas esta fisgada acertou em cheio na tola do governo…e agora qual o plano B? ...


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ex-Comandante Che-Soares




Será que esta mente brilhante não percebe que já ninguém o leva a sério? Será que não entende que os tugas já deram para o seu peditório (bem…continuam a dar, ao sustentar uma fundação que apenas serve o infinito ego de um guerrilheiro tacticista “démodé”), ninguém vislumbra uma alternativa viável, estamos todos fartos desta alternância solidária onde de vez em quando o Paulinho mete a colher. Em Junho do ano que vem os tugas querem é o Cristiano Ronaldo a marcar golos no Brasil, não querem eleições legislativas, cuja única mudança seria a redistribuição das clientelas.
Juntou ontem na Aula Magna, os camaradas do costume, que fariam uma revolução todos anos em Abril, juntou ao grupo, o Pacheco Pereira que será sempre um eterno pensador romântico, tem nas fileiras um Bispo revolucionário e lá quase para o fim apareceu o António Costa que anda a ver em que corrida vai competir, e pelo sim pelo não, mais vale estar em todas, pois vai precisar do apoio desta confraria na corrida eleitoral que achar conveniente e com mais probabilidades de êxito.
Com estes eventos folclóricos, se faz a actualidade política na Tugolândia, de um lado o berreiro que ataca o governo, do outro o governo que ataca os juízes e a constituição (esse empecilho, que não deixa a rapaziada fazer o que quer), algures, não se sabe muito bem onde anda a oposição a estudar a táctica…
Os tugas, esses, por muitas encenações que façam na Aula Magna têm mais com que se preocupar do que com violências e desobediências civis, militares ou outras que tais, organizadas ou não.
Lá no alto a rir-se de isto tudo está Jesus Cristo que tem a convicção que seu pai o deveria ter mandado como messias no nosso tempo e aqui na Tugolândia, onde garantidamente nunca seria cruxificado.
E pronto…é assim…


Cavalos de corrida e cavalinhos de carrossel



Somos todos cavalos de corrida, corremos deslumbrados num circuito fechado, em círculos, somos máquinas infernais num carrossel de algibeira, somos Cavaleiros destemidos e conquistamos silêncios, porque a diplomacia já venceu a nossa revolta interior, que depois acarinhámos sem balbuciar qualquer som. Calámos o nosso demónio interior, não fosse ele acordar a vizinha de cima e criar mau ambiente no condomínio.
Pegámos nos valores dos nossos pais e empacotamo-los, de maneira a não perderem a frescura mas a ficarem escondidos, não queremos que desviem a nossa atenção, focalizada neste novo mundo, limpo e organizado, civilizado pela limitação do livre pensamento. Fazemos parte de alguma coisa que não conseguimos definir, mas estamos integrados, somos parte do grupelho, criaram-se calibrações absolutas dos níveis de personalidade admitidas, para uma salutar convivência com a hipocrisia. As bocas calam-se entorpecidas e enternecidas na doçura de fazer parte de alguma coisa, que não entendemos, mas que nos orienta ordeiramente.
Perdemos a ousadia de pensar, a vida é organizada dentro dos “gangs” forjados nas castas puras tradicionais, príncipes paridos pela estrutura negoceiam o lugar de cada um na escada social e a sua respectiva remuneração mensal, escolhem os mais fieis para promoverem e elegerem os mais concordantes. Aplicam a mesma fórmula a pretos e a brancos, a fiéis e a infiéis, as identidades colectivas desvaneceram-se, criaram uma nova ordem dominada pelo carneirismo, trocaram-se tesouros por cotações, e esta nova ordem mundial novinha em folha, assenta na confiança depositada na mentira. Os povos esqueceram a sua génese, as suas origens, desistiu-se de se tentar perceber o encadeamento de acontecimentos que nos fez chegar até aqui.

Chegados aqui, isto vai nos levar inevitavelmente por um de dois caminhos, o da aceitação de uma ordem global assente assumidamente na miséria da maioria, que mais cedo que tarde vai implodir, ou o caminho da aceleração dos nacionalismos exacerbados alicerçados na doutrina social da igreja católica, em permanentes contradições desde mesmo antes do Concílio de Niceia, ou na doutrina mais ortodoxa de um socialismo maquilhado de democrático, de que temos tido um ligeiro cheirinho nos recentes acontecimentos na Venezuela. Qualquer dos dois caminhos não levará a nada que possa travar a proliferação da fronteira da fome, que já se vai alastrando aos países do sul da Europa. A única voz que se tem levantado é a sabia e serena voz do professor Adriano Moreira, que isolado tem levantado o problema (pena não termos mais meia dúzia assim).
O estado social europeu emergido do pós guerra e o edifício dos seus princípios norteadores, foi provavelmente o maior feito da humanidade, com um longo período de paz, de prosperidade e cooperação entre povos, respeitando a identidade de cada um. Mas o sonho do projecto europeu deitou-se a perder, os ricos não querem pagar os vícios dos pobres, esqueceram a história, a falta de memória é confrangedora. Os líderes são transversalmente medíocres e colocam cada vez mais em causa a igualdade e a convergência entre povos, questionam cada vez mais a identidade de cada um num falhado, e em bom rigor, nunca desejado federalismo. Uma união monetária sem um real federalismo foi o fim do projecto europeu, neste momento paralisado e sem caminho de retorno, na eminência do perigo da fragmentação, onde isso nos vai conduzir, não sei, mas não vaticino a Canaã prometida de leite e mel.
Em relação a nós, pessoalmente acho que na falta de um D. Sebastião, devíamos pelo menos arranjar um Fontes Pereira de Melo (sim eu sei que é utópico atendendo ao lamaçal fedorento que são as estruturas dos nossos “gangs”), depois podem levar os BMW, os LCD, os “Tablets”, e os telemóveis, desde que deixem ficar a Biblioteca Joanina e a Torre do Tombo.
O que faz falta aos jovens é ler, não se entende a profundidade de Kant pela wikipédia (é engraçado que temos um ex-primeiro-ministro que fez um exercício semelhante), não se absorve a magnitude de pensamento de um Milton Friedman por se frequentar uma Universidade de verão do “gang”, não se entende a essência e a conjuntura da filosofia de Karl Marx apenas por se ter um cartão de militante de um “gang” de esquerda, ou por se beber uns copos na festa do Avante.
É dramático e intelectualmente castrador conceber que um jovem termina uma licenciatura numa Universidade portuguesa, sem nunca ter lido o Eça, o Pessoa ou o Camilo, sem ter lido a Bíblia uma vez que fosse na vida, de que serve à sociedade, por exemplo, um tecnocrata que nunca ouviu falar de Heródoto, ou que nunca se emocionou com o Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach?
A história demonstra que os regimes que sucedem tendem a tentar fazer esquecer os valores do regime que os antecede, por isso hoje apenas se fala à boca pequena dos valores do respeito, da humildade perante o trabalho e essencialmente do valor que muito nos caracteriza enquanto povo, que é a família, não fosse o conforto da rede da família, já teria colapsado há muito este arranjinho na corda bamba que se tornou este nosso país moderno. Não podemos deitar pela janela 50 anos da nossa história, não tem mal nenhum acreditar em Fátima, se isso nos torna melhores cidadãos ou nos fortalece espiritualmente, não tem mal nenhum esperar por D. Sebastião, não tem mal nenhum nos indignarmos quando hoje se confunde liberdade com libertinagem…
O que está profundamente errado é nos conformarmos com a mediocridade, reduzirmos a educação à profissionalização de incompetentes (dentro e fora dos “gangs”). O que está profundamente errado é a institucionalização da pobreza, quando uma maioria resignada que ganha menos de 650 euros aplaude o corte no rendimento dos que ganham 675, por uma questão de reposição de equidade social.
É esta a pobreza em que se transformou o Portugal moderno, o Portugal dos “gangs”, tudo o resto como escreveu Álvaro de Campos será “…o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, com o destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.”


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Teatro D. Luiz




Hoje fiz alguma pesquisa para a minha cruzada de voltar no tempo a avisar D. Carlos do regicídio, já algum tempo que não tinha uma tarde sossegada para dedicar a esta causa, estive a analisar as cartas de D. Carlos trocadas com o João Franco, que o João depois publicou em livro (a partir de agora vou referir-me a ele apenas como João, começo a familiarizar-me com o ele) em 1924 com o título “Cartas D'El-Rei D. Carlos I”. E já que estava numa de correspondência, seguiu-se a correspondência da Rainha D. Amélia de Orleães com D. António Correa de Bastos de Pina, Bispo de Coimbra, confessor da Rainha e Padrinho do Infante D. Manuel que viria a ser o desventurado “Rei-Saudade”, o Bispo de Coimbra tinha uma ligação muito próxima com a Rainha (começo por dizer que era um homem notável, será um elemento crucial nesta minha divagação de ficção literária) e foi um dos homens mais influentes do seu tempo.

Depois como é natural tinha de ler os jornais do dia, tinha de saber as notícias fresquinhas de 6 de Julho de 1906, até li os classificados, gostei do jornal do partido republicano “Resistencia” publicado ao Domingo e às quintas, como chegarei numa sexta tive que ler o jornal da quinta, diga-se que já não era barato paguei 40 reis por ele. Chamou-me à atenção as notícias das festas da Rainha Santa, não pelas festividades, mas pela distribuição municipal do gás para iluminação das ruas, também um artigo na secção de “literatura e arte” com o título de “Um dia em Paris”. Mas o que me fez sentir um cidadão de pleno direito (por conhecimento de causa, ou melhor por já ter assistido ao mesmo 100 anos depois) naquela manha de 6 de Julho de 1906, foi um anúncio de venda de um terreno, que aqui partilho com o leitor:




Bem 107 anos depois o mesmo imóvel se encontra nas mesmas condições, isto deve tender a ser cíclico, hoje é um imóvel vergonhoso e fantasma no coração de uma zona de património da humanidade, cortesia da UNESCO, é o Teatro Sousa Bastos.

Bem e posto isto, naturalmente ressabiado com a analogia, achei que tinha que arranjar um compincha para os copos, daquele tempo, queria alguém boémio e conhecedor dos vícios e das andanças político-literárias da época, escolhi o João evangelista de Campos Lima. Quando bebemos a primeira bica juntos, no Café Lusitano na rua Ferreira Borges, nessa futura e longínqua manhã de 6 de Julho de 1906, ele ainda estava a leste de vaticinar que volvidos 3 anos estaria em Lisboa a discursar em comícios do partido republicano, nem imaginava sequer que dali a um ano seria expulso da Universidade por dois anos.

Bem não quero alongar-me mais sobre a crise académica de 1907, será tema que abordarei mais tarde, dizer apenas que me parece actual, acreditarem que tinha de morrer a Universidade velha, para renascer uma nova, liberta do “Foro Académico”, liberta dos preconceitos e amarras que travam o livre pensamento…

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Profeta...?


sábado, 9 de novembro de 2013

Procurados


AR - Publicidade


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A escrita, a Margarida e a Inês


Apetece-me escrever ao correr da pena, não no sentido atribuído pelos eruditos a uma escrita clara e objectiva, fluida e agradável, desprendida de profundas fundamentações ortodoxas de antigos mestres, velhos compêndios e tratados bolorentos que marcam o rigor de doutrinas e ciências empíricas sistematizadas.

Quero escrever ao correr da pena, no sentido de escrever por escrever, sem tema, sem objectivos, sem pensamentos… Escrever por escrever, num exercício umbilical da tinta negra sobre o papel branco, como sangue velho e intoxicado espalhado pela neve. Quero-me despir de emoções, abstrair-me de pensamentos e raciocínios, só a folha em branco e a tinta que lhe atiro de forma escorreita mas desprovida de nexo, tento esvaziar o cérebro e a alma numa metamorfose do individuo em folha em branco.

O homem devia ser uma folha em branco cada vez que acorda para um novo dia, sempre que abraça um recomeço. Mas quando acordamos o caderno já vai a meio e cedo chegará o dia onde não caberá nem mais uma frase.

Ai perdigão que perdeste a pena… ensina-me a livrar-me da minha!...

Vivo num mundo num plano distanciado da realidade, ganhei uma habituação tal à solidão que já não me sinto bem entre gente. Invento necessidades prementes, mas fúteis, obliteradas de conteúdo e de propósito. No período de uma vida li três livros (uma vida pode ter o espaço temporal de um instante ou do infinito), a Bíblia, a Ilíada e o Perfume, mas este último de Patrick Süskind foi o que absorvi com todos os sentidos, fará de mim um assassino em progresso certamente.

Três livros é o bastante para compreender a imensidão e o vazio do intelecto humano, o suficiente para clarificar a organização epistemológica da condição de servos dos sentidos. O que nos eleva mais enquanto homens? A pureza de uma equação doutrinal irrefutável, ou a pele rosada de uma adolescente despida? Que lembranças querem guardar na caixinha do infinito? A proeza inigualável da redenção do mundo, ou a tentação carnal do orgasmo de uma mulher doce?

Somos todos assassinos em progresso, nunca resistiremos aos sentidos animalescos que nos correm nas veias.

O Perfume conta-nos a história de um coleccionador, e é isso que somos todos. Coleccionadores de vidas, coleccionadores de emoções, de aromas, de ódios, de amores, de estados de alma sentidos ou vividos ou muitas vezes inventados. Magnifica esta cruzada de coleccionar o odor de mulheres especiais para no fim as compilar numa Inês perfeita, mas diferente de tudo que tinha almejado no início da empreitada.

Não me interpretem mal, nunca li a Margarida Rebelo Pinto, as capas, as cores, os títulos causam-me repulsa e uma certa agonia (A rapariga que perdeu o coração? A minha casa é o teu coração? O dia em que te esqueci?), fica-se aborrecido logo com o título, moro num apartamento pequeno mas não me estou a ver a conseguir arrumar a garrafeira e a biblioteca num coração. Confesso porém que um dos títulos das obras desta distinta e aristocrática senhora me é muito querido, é uma frase que tenho dificuldade em pronunciar: Minha querida Inês…

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Entrada 2 da Visita a D.Carlos


domingo, 3 de novembro de 2013

O sindicato...a greve e talvez a manif?



Hoje quero solenemente fazer uma proposta, de profundidade semelhante à do guião para a reforma do estado do Paulinho. Quero propor a criação do sindicato dos Primeiros-ministros, o sindicato dos Presidentes da República e ainda o sindicato dos Deputados!...disse
Não posso pactuar com a discriminação, ora se os juízes têm um sindicato, eles, titulares de um órgão de soberania nacional porquê discriminar os outros órgãos? Coitados dos deputados que estão a atravessar tantas dificuldades financeiras, não se lhes dá o devido valor, aliás constantemente múltiplos actores e “maçons” da opinião pública e publicada fazem por denegrir a imagem e o prestígio da classe. Têm de se organizar para na “luta” fazer valer os seus direitos adquiridos, façam uma greve, uma manifestação (eu vou e levo uma bandeira), não podem continuamente estar a  enxovalhar a dignidade dos nossos distintos e eloquentes tribunos.
Toda a gente hoje parece iluminada pelo direito (não estou a falar do divino, do Livro dos Juízes do velho testamento, em que os juízes eram chamados por Deus para libertar o povo eleito), invocar a constitucionalidade de qualquer acto tornou-se um lugar-comum, receita uniforme estandardizada para todas as maleitas do corpo e da alma (a constituição, a vaca sagrada, que o Medina profeta da desgraça de serviço, diz não pagar salários nem pensões). Ora eu também lá fui ao fundo da estante buscar o meu exemplar da quarta revisão de Setembro de 97, com prefácio e anotações da besta-quadrada do Jorge Lacão, para sustentar a minha proposta, diz a mesma no seu artigo 26.º ponto 1 (capítulo dos direitos, liberdades e garantias pessoais): “…e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.” Se isto não se trata de discriminação de uns titulares de órgãos de soberania em relação a outros, não sei como classificar, chamem o Marcelo, o Miranda e o Gomes Canotilho, os pais da Relíquia, chamem também as mães, os tios, os primos, e todos os que passaram pela honra de serem juízes deste ilustre e sublime tribunal.
Chegados aqui, ao Tribunal Constitucional, desengane-se o leitor (sim eu já sei que é só um) se tem a mesma percepção que eu, de ser talvez o órgão mais politizado desta 3ªRepública, os moços não são políticos apenas são nomeados por eles, nomeados pelos do costume e sempre com a solidariedade estreita a uma alternância saudável. O Magnifico Tribunal (perdoem-me a expressão será um defeito de academismo, perdoe-me também o Magnifico Reitor) composto por 13 Juízes (é tipo Cristo e os doze Apóstolos) em que 10 são designados pela Assembleia da República e 3 cooptados por estes (se tiverem pachorra é o artigo 222.º da Relíquia), 6 escolhidos entre juízes de outros tribunais e os restantes entre juristas.
Nesta equação de nomeação são cometidos três pecados mortais, a Soberba por quem nomeia, a Vaidade por quem é nomeado e a Gula por quem ganha milhões em pareceres jurídicos, essa teia mafiosa que continua a parir deputados discriminados, organizando a sua central de compras e operações a partir da sala do hemiciclo, da qual mais não digo, não me vá aparecer uma cabeça de cavalo à porta amanhã de manhã.
Esta constituição é como uma camisa que nunca nos serviu mas que nunca deixamos de usar, ficava-nos larga quando a compramos, depois ficou fora de moda e agora já nos fica apertada, mas nunca deixamos de a usar, usamo-la até o colarinho ficar gasto. Perdoem-me a veleidade intelectual mas a defesa deste modelo é um historicismo fundamentado na noção que a configuração do nosso mundo contemporâneo é o resultado dos processos de formação da revolução de Abril, quando a história é sempre passível de ser reconstruida à luz de novas compreensões da evolução dos factos e do encadeamento dos acontecimentos. Vivemos porventura um período pré revolucionário e continuamos a defender a “magna carta” da revolução que tem 40 anos…
Bem certo que já comprovei a validade do conteúdo da minha proposta, quero pois que a mesma seja levada a sério, tenho de arranjar uns activistas para fazerem umas petições nas redes sociais, teremos de arranjar também umas fotos de uns deputados magrinhos e tristes para dar força à campanha.
Tenho convivido mal com a “Union dos juízes” (com tudo que o significado do termo representa do outro lado do Atlântico), agora anunciarem que podem fazer greve, faz-me rir…
Eu sei que tenho uma imaginação fértil, mas tentem imaginar num futuro próximo, ou não, um sindicato dos Primeiros-ministros numa “manif”, o Passos á frente a segurar a faixa de um lado e o Sócrates do outro (com o livrinho da tese de baixo do braço), o Guterres a tocar tambor, o Santana de megafone, o Mário Soares de braço dado ao Anibal, com os fantasmas do Palma e do Gonçalves a comentar a efeméride aos jornalistas (não pensem que me esqueci do Durão, esse ia à frente a acalmar a brigada de intervenção da policia, como o mais oleoso destaca-se para esta função).
Enfim…isto só na Tugolândia…já agora e se fossem todos … (exacto é mesmo para aí)