sexta-feira, 5 de julho de 2013

De volta à visita a D. Carlos

De volta á “Visita a D.Carlos”
Cá estou eu de volta á minha tentativa de projecto cientifico-literário, devo dizer desde já que em breve vou desistir do mesmo como aliás tenho desistido de tudo ao longo de um percurso atribulado de vida. Com facilidade perco o entusiasmo, depois do enamoramento e da paixão que me deixam deslumbrado vem o tédio, não suporto o tédio, aflige-me a rotina e sou avesso às responsabilidades, sou à falta de melhor definição, um adolescente de cabelos brancos.
Não me atrai propriamente a escrita de tal novela histórica mas sim todo o processo de pensamento imaginário que implica. O desafio coloca-se na capacidade de visualização de tal empreitada. Este exercício de imaginação dá me mais prazer do que a sua potencial criação, no acto da criação a fase de concepção da ideia é a mais pura, não depende de nenhum padrão pré definido, não depende de aprovação ou julgamentos de qualquer espécie, é a mais pura libertação de emoções onde só nos confrontamos com o que somos e esquecemos o que fomos, o que queríamos ser e o que poderíamos ter sido. A pureza cristalina de uma ideia fascina-me profundamente.
Já decidi que o tempo tem de ser alargado, têm que me enviar uns tempos antes para ter tempo de em tempo realizar a minha tarefa, existem inúmeras figuras da época que quero conhecer, quero visitar e revisitar espaços e teorias espaço temporais. Decidi pois que dois anos será o tempo suficiente, também não me quero apegar demasiado a outro período que não vivi, até os que vivi às vezes parecem ser de terceiros, parecem ser personagens secundárias imaginadas por uma divindade demente.
Posto isto, surge-me a primeira dúvida, tenho de ter um nome forte para o personagem principal (papel que vou personificar), podem pensar que não é importante mas neste momento parece-me crucial, tem de ter um nome forte, um nome que o defina pelo que representa. Para quem possa pensar que não é importante imaginem que lhe chamava Judas da Silva Negrão Albuquerque.
Analisando o nome e cada um dos apelidos em separado podemos chegar a várias conclusões, começando por Judas não tenho dúvidas que o sentimento que assaltava qualquer leitor seria traidor, mas o que se calhar poucos sabem é que Jesus Cristo tinha dois Apóstolos dos doze com o nome próprio de Judas, o Iscariotes e o Tadeu, o primeiro como todos sabem foi o do beijo da traição por trinta moedas, o que se calhar poucos sabem é que em relação ao segundo existem várias correntes de opinião Teológica, há os que defendem (corrente maioritária) que seria primo de Cristo, irmão de Tiago, e os mais criativos que acreditam que seria irmão do próprio Jesus Cristo. Assim sendo o nome de Judas devia ser conotado como um pilar de família, um irmão, um primo fiel, mas será isso que interiorizamos ao ouvir o nome Judas?
Falemos dos Silva, uma larga faixa dos leitores (desconfio que não são muitos… pronto o único que lê isto), vai associar ao Aníbal nosso Presidente, o apelido Negrão será associado ao eco das últimas nomeações, assim como Albuquerque neste dia nunca seria associado ao grande Afonso de Albuquerque.
Julgo que já provei a importância do nome a dar ao personagem principal, chegados aqui o meu pensamento vai para o Camilo, quem não se lembra do Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda? (isso sim é um nome de um personagem) Nenhum deputado poderia ser eleito (bem eles não são eleitos) sem provar que leu a Queda de um Anjo, (deviam fazer exame), infelizmente nos dias que correm não são as Ifigénias que corrompem os corações puros e ingénuos dos deputados da nação.
Tenho de amadurecer este raciocínio, ponderar bem a escolha.

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