domingo, 30 de junho de 2013

De visita a D. Carlos


Hoje acordei com uma estranha sensação de lucidez, como se a ressaca fosse um propósito e não um efeito colateral. Acordei com a convicção de ter dissecado a realidade, como se a mesma fosse composta por vários universos paralelos sobrepostos em camadas, como uma cebola imensa e infinita.
A realidade e a imaginação confundem-se e confundem-me, fico sem saber qual é a mais real ou qual é mais fingida.
Tomei a decisão de escrever um livro, pode ser a solução para esta esquizofrenia melancólica que me invade, pode trazer algum conforto a esta ansiedade revisitada vezes sem conta, a um estado quase sonâmbulo e letárgico que empurra uns dias atrás dos outros. Já decidi qual o título e o enredo principal, vou chamar-lhe “De visita a D. Carlos”. Vou contar uma aventura cientifico-literária de um individuo escolhido pelas piores razões para ser o mensageiro do infortúnio.
Como estamos em crise decidi também escrever o livro em duodécimos.
Para que os caros leitores não se deem ao trabalho de comprar o livro e á maçada de ter de o ler vou resumi-lo desde já. Numa cidade algures por aí num tempo contemporâneo uns cientistas iluminados inventaram uma máquina de viajar no tempo, com o objectivo de salvar a nossa gloriosa nação (decadente e nobre desde mesmo antes da sua criação) e escolheram-me a mim para viajar no tempo e ir avisar D. Carlos antes do regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, de forma evitar o atentado criando um futuro diferente (não digo melhor apenas diferente).
Não haverá tuga que se preze que não preferisse ter a Dona Isabelinha como Rainha em vez da actual primeira-dama, é mais nova, é mais charmosa e também é devota da Senhora de Fátima. Mas tal não aconteceria pois avisado D. Carlos não ocorria o regicídio e nunca viria a ser assinado o Pacto de Dover mantendo-se até hoje no trono a linhagem do Infante Luís Filipe (sabe-me bem acreditar nisso).
Para que não fiquem a pensar que bati com a cabeça em algum móvel ou que ando a fumar substâncias ilegais, vou explicar as razões da escolha do tempo e do enredo. Por um lado vou escrever sobre uma época que considero muito similar aos dias que vivemos, viviam em bancarrota, tinham perdido practicamente a soberania perante os credores, já ninguém acreditava no regime e o país era pobre e medíocre. Por outro lado tenho a secreta esperança que algum assassino psicopata posso ler o que escrevo e fique com ideias, possa ser esta minha narrativa sem nexo uma inspiração para bombas na Assembleia, assaltos a bancos, motins e caça aberta ao “Coelho” e às muitas “lebres” que andam por ai.
No entanto estou farto de matutar numa coisa, depois de ter sido governado pelo José Socrates, pelo Passos Coelho e do próximo certamente vir a ser o Seguro, que argumentos posso utilizar para convencer D. Carlos a demitir o João Franco?....
Vou pensar nisso…

sábado, 29 de junho de 2013

Tuga Banal



Sou um Tuga banal...não gosto de banalizar a futilidade do drama de ser banal, mas cheguei á conclusão que sou mesmo um tuga mediano e particularmente habituado á agilidade de baixar as calcinhas e culpar os americanos ou os chinos, ou outros que tais, desde que me deixem beber umas minis, praguejar que está tudo errado e dizer em tom grave e sisudo (sim os tugas banais também são sisudos) que estou mesmo aborrecido com tudo isto.
Sou um Tuga banal...estou falido...as finanças penhoraram-me a casa, as contas do banco, o cão e o periquito (e não tenho cão) só não me penhoraram a sogra porque a minha alma gémea pôs-se na alheta a tempo e horas não fosse isto dar para o torto.
As mulheres embora que também banais são mais astutas e profundas conhecedoras da geologia e dos solos em geral, sabem sempre quando isto se torna em chão que já deu uvas (há quem prefira a expressão que a “teta secou”, mas a mim lembra-me aquela musica do Quim Barreiros da cabritinha e faria me sentir talvez menos banal, mas muito mais tuga... e isso aborrece-me).
 Sou um tuga banal...ando aborrecido com a vida, com o filho da puta do vizinho que estaciona sempre o carro no meu lugar, ando aborrecido de andar sempre teso (na minha idade isso não ajuda na arte da sedução), ando aborrecido com as prestações de tudo e mais alguma coisa, com os bancos e os banqueiros e bancários e afins…
Sou um tuga banal...ando aborrecido com a economia nacional e especialmente com minha micro economia (tal qual como diria o sr. Doutor xpto num comentário em noticiário da especialidade).
A minha mãe diz que isto é mau olhado ou inveja (inveja de que? da tuguice ? da banalidade ? ou da desgraçada “rameira maluca”  que se foi embora fazer infeliz outro qualquer??) mas o Sr. Curandeiro já garantiu que isto com umas rezas vai ao sitio.

Sei que estou a ficar repetitivo, mas sou mesmo um tuga banal e ando aborrecido, até já ando aborrecido de andar aborrecido que tenho dado por mim a pensar numa frase escrita por um general romano ao seu imperador Caio Julio César (não sei se retire esta frase do texto, ainda ficam com a ideia errada que sou um tuga banal intelectual ou estudioso) que dizia assim:

- “Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que nem se governa nem se deixa governar”. 
Ora muito bem, o senhor General devia estar a falar da gente (já na altura o tipo devia ser consultor de uma agência de rating do império romano).
Mas eu, o tuga banal, não concordo com a afirmação, se é verdade que não nos governamos (quem tiver dúvidas ligue ao professor José Hermano Saraiva lá para o outro mundo), já não é verdade que não nos deixamos governar, toda a gente nos tem governado, abrimos as perninhas sempre que alguém diz que poderá a vir a governar-nos, tragam o “guito” e aqui na Tugolandia governam á vontade.
O melhor exemplo que me ocorre é os ingleses que nos governaram séculos, não há no mundo vaselina que chegue para tantos anos, os americanos descolonizaram-nos, (corria-mos o risco de ser comunas e comer as criancinhas) (não sei como na escrita se mete um parêntesis dentro de outro mas não quero que fiquem a pensar que sou comuna, ora bolas sou um tuga banal, naturalmente que sou conservador e muito embora não goste muito do Paulinho lá meti o meu voto á falta de melhor)).
Agora a UE faz o que quer e nós latimos baixinho não vão lá os gajos esquecer-se de mandar o cheque prá malta.

Pois é, volto a dizer...sou um tuga banal...estou a viver um tempo de aflição, mas um amigo de família já me disse que meteu uma cunha para me arranjar um emprego como vigilante nocturno, sempre é mais algum (já dizia o zé povinho, quando estamos mal até os cães nos mijam (urinam para ser educado) nos pés).
Eu sempre tive fé, talvez uma fé banal, mas sempre acreditei no Jesus...mas até ele me falhou... Desgraçado!
Foi a taça, o campeonato e a porra da liga Europa.

Bem já estou cansado de dizer mal, e tuga banal que se preze vai mas é beber uma mini! (até nisso somos pequenos, o irlandeses e ingleses e alemães bebem girafas de litro, a gente contenta-se com umas minis, valha-nos ao menos os espanhóis que só têm cerveja de merda, merda não...caca.).

Sou um Tuga banal... Mas… enfim, talvez D. Sebastião volte (ou não) e já dizia o Pessoa (tenho dado por mim a comparar o Fernando Pessoa ao Jorge palma) que mais que tudo isto é Jesus Cristo, que não sabia nada de finanças nem consta que tivesse biblioteca.

Sou eu o tuga banal

Declaração de intenções


Para que não se criem espectativas começo por dizer que provavelmente desisto disto já amanhã ou talvez numa quinta-feira qualquer, se começar efectivamente a escrever será sempre com a profundidade de um soneto do Bocage e a tentativa quase inalcançável da elegância narrativa das letras do Quim Barreiros.

A minha primeira declaração de intenções é que me estou literalmente a “cagar” para o novo acordo ortográfico (já sei não é educado dizer cagar, as pessoas finas não cagam, defecam).

Ao vosso dispor,

O tuga banal