quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A nossa verdade



Hoje perdi uma parte da minha tarde (efectivamente aplica-se bem o verbo perder, pois foi tempo gasto com uma inútil diligência) a assistir às declarações políticas dos vários partidos com assento parlamentar.
Tenho resistido em escrever nos últimos dias, não por sentir um vazio de ideias, ou consciência pesada por o que penso, digo, ou escrevo, pura e simplesmente por achar uma veleidade intelectual pensar que se pode ter uma opinião, seja ela qual for, na pobreza avassaladora que vivemos hoje. Será sempre volátil e despropositado o que escrevo numa pátria em que crianças têm fome e em que os velhos morrem sozinhos, para não aborrecer os filhos com a maçada de terem que aguentar o fardo da sua partida.
A verdade é que somos governados por garotos, custa-me assistir nos debates, à postura pueril e cândida, que os nossos eleitos nos presenteiam, qualquer hagiógrafo extraia um prazer imenso a compilar biografias de tão doces criaturas, não fosse a real percepção de serem eles em si mesmos, a raiz do problema.
O que quero dizer neste texto, é no entanto, outra coisa porventura mais grave, quero sublinhar a candura e condescendência com que admitimos todos nós que esta encenação continue, estamos de tal maneira familiarizados com ela, que já nos é indiferente.
Esta patranha, quase que sincera, transformou-se com a colaboração das circunstâncias, numa verdade mentirosa com a qual comungamos com excesso de humanidade, tornou-se de tal maneira passiva a forma como encaramos a nossa vivência colectiva, que a dissimulação erigida em método organizado, já conduz as nossas vidas de uma forma natural, já não distinguimos o progresso, de um simples juízo de gosto.
É um exercício de masoquismo intelectual comentar seja o que for que venha da partidarite instalada, sinceramente, já nem quero enumerar as infinitas razões que nos levaram à mentira, o embuste sobre o conteúdo é tal, que a fraude é já a natureza da coisa pública, podem-me dar uma arma, e retirar-me a ilusão de que com esforço podemos inventar, um mundo menos cómodo, mas mais justo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Relvas apoia FENPROF



No dia em que os professores invadiram as galerias, da apregoada pelos mesmos de casa da democracia, no dia em que estes, ou melhor os bandalhos que os representam fizeram saber mais uma vez que não admitem fazer o exame, uma voz inesperada surgiu em seu apoio.
Miguel relvas fez saber que está solidário com os professores, disse claramente que isto de exames não avalia o conhecimento adquirido, ele compreende melhor que ninguém a fúria dos professores. Tem algum jeito isto de terem de fazer exames para demonstrar qualquer capacidade?
Miguel relvas, num comunicado que fez chegar ao Tuga Banal, deixou vincada a sua revolta com esta questão e assumiu o seu apoio claro e inequívoco aos professores. Relvas foi ainda mais longe e ofereceu-se para criar um gabinete de apoio à FENPROF para mediar as negociações de condições de equivalência para todos. Está salva a educação com todos estes intervenientes…


domingo, 1 de dezembro de 2013

1º de Dezembro 2013 - O princípio do começo do fim...



Estou hoje profundamente triste, não é daquelas tristezas imbuídas em revolta que podem até ser factor de motivação, é daquele tipo de tristeza acomodada e melancólica, é aquela consternação do tipo fado, de que é assim, e que não há mais nada a fazer a não ser aceitar, balbuciando de lágrima no olho, paz à sua alma e que a terra lhe seja leve.

Quando um Estado-Nação deixa de comemorar oficialmente a sua soberania e independência, é porque já não sente colectivamente que esses valores são importantes, é o começo do fim de uma nação. Aboliu-se o mais antigo feriado da nação, faz hoje 373 anos da restauração da nossa independência. Qual a data que define um povo com 900 anos de história?

Levem Abril e Maio, levem até o Junho, levem o Outubro, mas devolvam-nos a dignidade e a honra de um povo independente, que se devia comemorar hoje!


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Vão trabalhar, malandros!



Esta coisa, não me ocorre nenhum adjectivo para classificar essa tal de coisa de que vou falar, nem em grau, nem em número, nem mesmo na real importância (que não tem), por isso fica só assim, coisa. Assim, esta coisa dos funcionários públicos terem que trabalhar mais uma hora, faz-me chorar de rir, lembra-me aquela anedota do compadre alentejano, que se levantava todos dias de madrugada para conseguir estar mais tempo sem fazer nada.

É disto que se trata, obrigar os camaradas e companheiros a estarem mais uma hora sem produzir nada, e não pensem que é fácil, imagino a dificuldade de tão árdua tarefa, têm de fazer mais uns posts no facebook, ler mais uma tretas em bolgs como este que se traduzem em pura perda de tempo, jogar mais um bocado de farm ville, e ao mesmo tempo tentarem manter uma pose de irritados, carregadores de tal fardo que nem Cristo o trocava pela cruz.

Quando penso por outro lado na votada constitucionalidade de tal norma no palácio ratton ai não consigo parar mesmo de rir, então as divinas cavalgaduras dos magistrados deram como constitucional esta coisa? E agora? Vão se queixar onde, ou o TC só é sagrado quando nos dá jeito?

Para tentar perceber como vão passar esta hora a mais aderi a um dos muito grupos no facebook intitulados de “Que se lixe a Troika”, estava certo que era aqui que ia encontrar muitos funcionários públicos, pensei também que eventualmente ia encontrar livres-pensadores, cidadãos interessados em promover a diferença pela postura e pela inteligência. Nada mais errado, parece um concurso de quem manda a melhor boca, não estou a perceber a grandiosidade da diarreia mental. Nestes grupos e também na sociedade em geral pois destes grupos se consegue extrapolar uma panorâmica mais geral, vive-se aquartelado numa luta de classes, que a continuarem a guerrear-se acabarão por se destruir mutuamente.

Devíamos estar mais atentos ao que a história repetidamente nos tem ensinado, sempre que se acentua a diferença entre pobres e ricos, crescendo o contingente da miséria, floresce o terreno onde se cultivam os tiranos.

A nossa sorte é que somos todos uns tugas suaves…


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Manifestação da autoridade na corrida dos degraus



Perguntaram-me hoje, o que sente um tuga banal quando vê uma manifestação de polícias a subir a escadaria da Assembleia da República. Ainda pensei talvez uns 5 segundos, mas o brilho dos meus olhos e o sorriso amarelo denunciaram-me logo. É tremendamente óbvio que um tuga banal fica deliciado com estas avarias dos polícias e dos GNR’s, e dos trafulhas da ASAE, e mais dos cães polícias e afins. Eu quero é vê-los a subir escadas, longe das rotundas e da A1, e das balanças e das facturas, e dos radares.
Aliás acho que deviam fazer estes exercícios de subir escadas todos os dias, na AR, no bom Jesus de Braga, nas escadas monumentais em Coimbra, em todas as escadarias espalhadas pela tugolândia. Era um sossego, a malta podia levar mais peso nos transportes, esquecer-se das guias, acelerar mais sem medo dos radares e até beber mais aquela mini. Era um bom contributo para a produtividade, para o bem-estar geral dos tugas e até era bom para abaterem as barriguinhas, era perfeito.

Agora uma coisa é certa, a próxima vez que os vir a dar bastonadas em garotos barbudos e guedelhudos, daqueles que têm as orelhas e os narizes cravados de pingos de solda e parafusos, que parece que não tomam banho há uma semana, sou eu que me revolto e pego numa bela barra ferro e me viro a eles, se não batem nos colegas graúdos também que não batam nos garotos e nas garotas, que da mesma forma têm o direito de manifestação…disse



E os Bêbados...?



Volto hoje a erguer a voz contra as injustiças, na defesa dos desprotegidos, amanhã é a votação global do OE e ainda não ouvi ninguém a defender os Bêbados!

Que culpa têm os bêbados do estado a que isto chegou? Não seria mais suportável esta conjuntura se andássemos todos permanentemente bêbados?

Ora ainda dou de barato o aumento do imposto especial sobre o Tabaco, que terá impacto directo no bem-estar comum, assim como no custo do serviço nacional de saúde, compreendo que se carregue mais imposto nesses ferozes poluidores que conduzem carros velhos a gasóleo, agora o aumento de 7% no Imposto sobre o Álcool e Bebidas Alcoólicas (IABA) deixa-me profundamente revoltado.

Porquê o vinho e não a coca-cola? Porque não a Pepsi (todos os tugas estarão de acordo) em vez da aguardente? Não se trata de escolhas individuais? Até por razões culturais e de desenvolvimento económico da produção nacional, se devia incentivar o consumo do vinho!

Num Portugal não muito longínquo, do cada vez mais popular e saudoso “botas”, um trabalhador rural ganhava a “jorna” na qual fazia parte integrante a denominada “data”, que correspondia a dois litros de vinho. A coisa funcionava assim, o trabalhador levava a sua vasilha que tinha de medir um litro, e enchia-a de manhã, quando à noite voltava do trabalho voltava a enche-la para levar para casa. Ora isso sim era dignificar e valorizar o trabalho de um homem. Até no antigo Egipto os escravos tinham direito à sua porção de cerveja na ração diária (pensavam que se construíam obras maravilhosas como as pirâmides do nada? A cerveja é o segredo de todas as grandes obras).

Todos os tugas deviam ter direito a uma distribuição gratuita diária de vinho e cerveja, vou até mais longe, o rendimento mínimo devia ser entregue em pão, toucinho, vinho e azeitonas. Nada de outras carnes ou iguarias, que são só para gente fidalga.

A previsão de receitas no OE para 2014 em IABA é de 181,6 milhões de euros, se todos os tugas deixarem de beber vão buscar o “guito” onde? É a prova da real importância dos bêbados, têm um contributo muito significativo para a sociedade e não têm sindicato nem fazem greves.

Para que não pensem que estou a falar de cor, deixo o quadro do OE da evolução da receita fiscal líquida do Estado 2013-2014, fica-se a saber por exemplo também que a receita do Imposto do tabaco é sensivelmente um terço da receita sobre o lucro da totalidade das empresas, e mais ou menos o dobro da receita da convergência de pensões que o Aníbal “O cruel de Boliqueime” mandou para o constitucional, era caso para o Fernando Pessa (que também gostava do seu copinho) dizer: E esta hein…?

Posto isto, cambada de Chulos, tenham respeito pelos bêbados!

 
 

domingo, 24 de novembro de 2013

Aníbal o Cruel de Boliqueime




Ao enviar a norma de convergência de pensões, para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional, o Aníbal atira uma fisgada mais uma vez no sentido dos mesmos, a classe dos tugas pagadores, com um provável aumento do IVA e consequente aumento dos preços a suportar pelas famílias. Estava ele tão sossegado…Mas não… tinham que continuar a pressionar, para ressuscitar “O Cruel de Boliqueime”…

Ironicamente politiza-se cada vez mais um tribunal de devia apenas zelar pelo cumprimento da lei fundamental, existe uma dose de masoquismo na maioria dos actores políticos, negam-se a enxergar que qualquer disparate nos torna mais reféns dos credores.

Quero dizer que em relação a esta matéria me sinto dividido, se por um lado vejo uma larga faixa de reformados que deixaram de trabalhar sem que fosse justificável,com reformas não merecidas, por outro lado entendo que muitas dessas reformas são a rede de segurança, dos trapézios complicados em que se tornaram a maioria dos agregados familiares….

Mas esta fisgada acertou em cheio na tola do governo…e agora qual o plano B? ...


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ex-Comandante Che-Soares




Será que esta mente brilhante não percebe que já ninguém o leva a sério? Será que não entende que os tugas já deram para o seu peditório (bem…continuam a dar, ao sustentar uma fundação que apenas serve o infinito ego de um guerrilheiro tacticista “démodé”), ninguém vislumbra uma alternativa viável, estamos todos fartos desta alternância solidária onde de vez em quando o Paulinho mete a colher. Em Junho do ano que vem os tugas querem é o Cristiano Ronaldo a marcar golos no Brasil, não querem eleições legislativas, cuja única mudança seria a redistribuição das clientelas.
Juntou ontem na Aula Magna, os camaradas do costume, que fariam uma revolução todos anos em Abril, juntou ao grupo, o Pacheco Pereira que será sempre um eterno pensador romântico, tem nas fileiras um Bispo revolucionário e lá quase para o fim apareceu o António Costa que anda a ver em que corrida vai competir, e pelo sim pelo não, mais vale estar em todas, pois vai precisar do apoio desta confraria na corrida eleitoral que achar conveniente e com mais probabilidades de êxito.
Com estes eventos folclóricos, se faz a actualidade política na Tugolândia, de um lado o berreiro que ataca o governo, do outro o governo que ataca os juízes e a constituição (esse empecilho, que não deixa a rapaziada fazer o que quer), algures, não se sabe muito bem onde anda a oposição a estudar a táctica…
Os tugas, esses, por muitas encenações que façam na Aula Magna têm mais com que se preocupar do que com violências e desobediências civis, militares ou outras que tais, organizadas ou não.
Lá no alto a rir-se de isto tudo está Jesus Cristo que tem a convicção que seu pai o deveria ter mandado como messias no nosso tempo e aqui na Tugolândia, onde garantidamente nunca seria cruxificado.
E pronto…é assim…


Cavalos de corrida e cavalinhos de carrossel



Somos todos cavalos de corrida, corremos deslumbrados num circuito fechado, em círculos, somos máquinas infernais num carrossel de algibeira, somos Cavaleiros destemidos e conquistamos silêncios, porque a diplomacia já venceu a nossa revolta interior, que depois acarinhámos sem balbuciar qualquer som. Calámos o nosso demónio interior, não fosse ele acordar a vizinha de cima e criar mau ambiente no condomínio.
Pegámos nos valores dos nossos pais e empacotamo-los, de maneira a não perderem a frescura mas a ficarem escondidos, não queremos que desviem a nossa atenção, focalizada neste novo mundo, limpo e organizado, civilizado pela limitação do livre pensamento. Fazemos parte de alguma coisa que não conseguimos definir, mas estamos integrados, somos parte do grupelho, criaram-se calibrações absolutas dos níveis de personalidade admitidas, para uma salutar convivência com a hipocrisia. As bocas calam-se entorpecidas e enternecidas na doçura de fazer parte de alguma coisa, que não entendemos, mas que nos orienta ordeiramente.
Perdemos a ousadia de pensar, a vida é organizada dentro dos “gangs” forjados nas castas puras tradicionais, príncipes paridos pela estrutura negoceiam o lugar de cada um na escada social e a sua respectiva remuneração mensal, escolhem os mais fieis para promoverem e elegerem os mais concordantes. Aplicam a mesma fórmula a pretos e a brancos, a fiéis e a infiéis, as identidades colectivas desvaneceram-se, criaram uma nova ordem dominada pelo carneirismo, trocaram-se tesouros por cotações, e esta nova ordem mundial novinha em folha, assenta na confiança depositada na mentira. Os povos esqueceram a sua génese, as suas origens, desistiu-se de se tentar perceber o encadeamento de acontecimentos que nos fez chegar até aqui.

Chegados aqui, isto vai nos levar inevitavelmente por um de dois caminhos, o da aceitação de uma ordem global assente assumidamente na miséria da maioria, que mais cedo que tarde vai implodir, ou o caminho da aceleração dos nacionalismos exacerbados alicerçados na doutrina social da igreja católica, em permanentes contradições desde mesmo antes do Concílio de Niceia, ou na doutrina mais ortodoxa de um socialismo maquilhado de democrático, de que temos tido um ligeiro cheirinho nos recentes acontecimentos na Venezuela. Qualquer dos dois caminhos não levará a nada que possa travar a proliferação da fronteira da fome, que já se vai alastrando aos países do sul da Europa. A única voz que se tem levantado é a sabia e serena voz do professor Adriano Moreira, que isolado tem levantado o problema (pena não termos mais meia dúzia assim).
O estado social europeu emergido do pós guerra e o edifício dos seus princípios norteadores, foi provavelmente o maior feito da humanidade, com um longo período de paz, de prosperidade e cooperação entre povos, respeitando a identidade de cada um. Mas o sonho do projecto europeu deitou-se a perder, os ricos não querem pagar os vícios dos pobres, esqueceram a história, a falta de memória é confrangedora. Os líderes são transversalmente medíocres e colocam cada vez mais em causa a igualdade e a convergência entre povos, questionam cada vez mais a identidade de cada um num falhado, e em bom rigor, nunca desejado federalismo. Uma união monetária sem um real federalismo foi o fim do projecto europeu, neste momento paralisado e sem caminho de retorno, na eminência do perigo da fragmentação, onde isso nos vai conduzir, não sei, mas não vaticino a Canaã prometida de leite e mel.
Em relação a nós, pessoalmente acho que na falta de um D. Sebastião, devíamos pelo menos arranjar um Fontes Pereira de Melo (sim eu sei que é utópico atendendo ao lamaçal fedorento que são as estruturas dos nossos “gangs”), depois podem levar os BMW, os LCD, os “Tablets”, e os telemóveis, desde que deixem ficar a Biblioteca Joanina e a Torre do Tombo.
O que faz falta aos jovens é ler, não se entende a profundidade de Kant pela wikipédia (é engraçado que temos um ex-primeiro-ministro que fez um exercício semelhante), não se absorve a magnitude de pensamento de um Milton Friedman por se frequentar uma Universidade de verão do “gang”, não se entende a essência e a conjuntura da filosofia de Karl Marx apenas por se ter um cartão de militante de um “gang” de esquerda, ou por se beber uns copos na festa do Avante.
É dramático e intelectualmente castrador conceber que um jovem termina uma licenciatura numa Universidade portuguesa, sem nunca ter lido o Eça, o Pessoa ou o Camilo, sem ter lido a Bíblia uma vez que fosse na vida, de que serve à sociedade, por exemplo, um tecnocrata que nunca ouviu falar de Heródoto, ou que nunca se emocionou com o Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach?
A história demonstra que os regimes que sucedem tendem a tentar fazer esquecer os valores do regime que os antecede, por isso hoje apenas se fala à boca pequena dos valores do respeito, da humildade perante o trabalho e essencialmente do valor que muito nos caracteriza enquanto povo, que é a família, não fosse o conforto da rede da família, já teria colapsado há muito este arranjinho na corda bamba que se tornou este nosso país moderno. Não podemos deitar pela janela 50 anos da nossa história, não tem mal nenhum acreditar em Fátima, se isso nos torna melhores cidadãos ou nos fortalece espiritualmente, não tem mal nenhum esperar por D. Sebastião, não tem mal nenhum nos indignarmos quando hoje se confunde liberdade com libertinagem…
O que está profundamente errado é nos conformarmos com a mediocridade, reduzirmos a educação à profissionalização de incompetentes (dentro e fora dos “gangs”). O que está profundamente errado é a institucionalização da pobreza, quando uma maioria resignada que ganha menos de 650 euros aplaude o corte no rendimento dos que ganham 675, por uma questão de reposição de equidade social.
É esta a pobreza em que se transformou o Portugal moderno, o Portugal dos “gangs”, tudo o resto como escreveu Álvaro de Campos será “…o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, com o destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.”


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Teatro D. Luiz




Hoje fiz alguma pesquisa para a minha cruzada de voltar no tempo a avisar D. Carlos do regicídio, já algum tempo que não tinha uma tarde sossegada para dedicar a esta causa, estive a analisar as cartas de D. Carlos trocadas com o João Franco, que o João depois publicou em livro (a partir de agora vou referir-me a ele apenas como João, começo a familiarizar-me com o ele) em 1924 com o título “Cartas D'El-Rei D. Carlos I”. E já que estava numa de correspondência, seguiu-se a correspondência da Rainha D. Amélia de Orleães com D. António Correa de Bastos de Pina, Bispo de Coimbra, confessor da Rainha e Padrinho do Infante D. Manuel que viria a ser o desventurado “Rei-Saudade”, o Bispo de Coimbra tinha uma ligação muito próxima com a Rainha (começo por dizer que era um homem notável, será um elemento crucial nesta minha divagação de ficção literária) e foi um dos homens mais influentes do seu tempo.

Depois como é natural tinha de ler os jornais do dia, tinha de saber as notícias fresquinhas de 6 de Julho de 1906, até li os classificados, gostei do jornal do partido republicano “Resistencia” publicado ao Domingo e às quintas, como chegarei numa sexta tive que ler o jornal da quinta, diga-se que já não era barato paguei 40 reis por ele. Chamou-me à atenção as notícias das festas da Rainha Santa, não pelas festividades, mas pela distribuição municipal do gás para iluminação das ruas, também um artigo na secção de “literatura e arte” com o título de “Um dia em Paris”. Mas o que me fez sentir um cidadão de pleno direito (por conhecimento de causa, ou melhor por já ter assistido ao mesmo 100 anos depois) naquela manha de 6 de Julho de 1906, foi um anúncio de venda de um terreno, que aqui partilho com o leitor:




Bem 107 anos depois o mesmo imóvel se encontra nas mesmas condições, isto deve tender a ser cíclico, hoje é um imóvel vergonhoso e fantasma no coração de uma zona de património da humanidade, cortesia da UNESCO, é o Teatro Sousa Bastos.

Bem e posto isto, naturalmente ressabiado com a analogia, achei que tinha que arranjar um compincha para os copos, daquele tempo, queria alguém boémio e conhecedor dos vícios e das andanças político-literárias da época, escolhi o João evangelista de Campos Lima. Quando bebemos a primeira bica juntos, no Café Lusitano na rua Ferreira Borges, nessa futura e longínqua manhã de 6 de Julho de 1906, ele ainda estava a leste de vaticinar que volvidos 3 anos estaria em Lisboa a discursar em comícios do partido republicano, nem imaginava sequer que dali a um ano seria expulso da Universidade por dois anos.

Bem não quero alongar-me mais sobre a crise académica de 1907, será tema que abordarei mais tarde, dizer apenas que me parece actual, acreditarem que tinha de morrer a Universidade velha, para renascer uma nova, liberta do “Foro Académico”, liberta dos preconceitos e amarras que travam o livre pensamento…

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Profeta...?


sábado, 9 de novembro de 2013

Procurados


AR - Publicidade


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A escrita, a Margarida e a Inês


Apetece-me escrever ao correr da pena, não no sentido atribuído pelos eruditos a uma escrita clara e objectiva, fluida e agradável, desprendida de profundas fundamentações ortodoxas de antigos mestres, velhos compêndios e tratados bolorentos que marcam o rigor de doutrinas e ciências empíricas sistematizadas.

Quero escrever ao correr da pena, no sentido de escrever por escrever, sem tema, sem objectivos, sem pensamentos… Escrever por escrever, num exercício umbilical da tinta negra sobre o papel branco, como sangue velho e intoxicado espalhado pela neve. Quero-me despir de emoções, abstrair-me de pensamentos e raciocínios, só a folha em branco e a tinta que lhe atiro de forma escorreita mas desprovida de nexo, tento esvaziar o cérebro e a alma numa metamorfose do individuo em folha em branco.

O homem devia ser uma folha em branco cada vez que acorda para um novo dia, sempre que abraça um recomeço. Mas quando acordamos o caderno já vai a meio e cedo chegará o dia onde não caberá nem mais uma frase.

Ai perdigão que perdeste a pena… ensina-me a livrar-me da minha!...

Vivo num mundo num plano distanciado da realidade, ganhei uma habituação tal à solidão que já não me sinto bem entre gente. Invento necessidades prementes, mas fúteis, obliteradas de conteúdo e de propósito. No período de uma vida li três livros (uma vida pode ter o espaço temporal de um instante ou do infinito), a Bíblia, a Ilíada e o Perfume, mas este último de Patrick Süskind foi o que absorvi com todos os sentidos, fará de mim um assassino em progresso certamente.

Três livros é o bastante para compreender a imensidão e o vazio do intelecto humano, o suficiente para clarificar a organização epistemológica da condição de servos dos sentidos. O que nos eleva mais enquanto homens? A pureza de uma equação doutrinal irrefutável, ou a pele rosada de uma adolescente despida? Que lembranças querem guardar na caixinha do infinito? A proeza inigualável da redenção do mundo, ou a tentação carnal do orgasmo de uma mulher doce?

Somos todos assassinos em progresso, nunca resistiremos aos sentidos animalescos que nos correm nas veias.

O Perfume conta-nos a história de um coleccionador, e é isso que somos todos. Coleccionadores de vidas, coleccionadores de emoções, de aromas, de ódios, de amores, de estados de alma sentidos ou vividos ou muitas vezes inventados. Magnifica esta cruzada de coleccionar o odor de mulheres especiais para no fim as compilar numa Inês perfeita, mas diferente de tudo que tinha almejado no início da empreitada.

Não me interpretem mal, nunca li a Margarida Rebelo Pinto, as capas, as cores, os títulos causam-me repulsa e uma certa agonia (A rapariga que perdeu o coração? A minha casa é o teu coração? O dia em que te esqueci?), fica-se aborrecido logo com o título, moro num apartamento pequeno mas não me estou a ver a conseguir arrumar a garrafeira e a biblioteca num coração. Confesso porém que um dos títulos das obras desta distinta e aristocrática senhora me é muito querido, é uma frase que tenho dificuldade em pronunciar: Minha querida Inês…

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Entrada 2 da Visita a D.Carlos


domingo, 3 de novembro de 2013

O sindicato...a greve e talvez a manif?



Hoje quero solenemente fazer uma proposta, de profundidade semelhante à do guião para a reforma do estado do Paulinho. Quero propor a criação do sindicato dos Primeiros-ministros, o sindicato dos Presidentes da República e ainda o sindicato dos Deputados!...disse
Não posso pactuar com a discriminação, ora se os juízes têm um sindicato, eles, titulares de um órgão de soberania nacional porquê discriminar os outros órgãos? Coitados dos deputados que estão a atravessar tantas dificuldades financeiras, não se lhes dá o devido valor, aliás constantemente múltiplos actores e “maçons” da opinião pública e publicada fazem por denegrir a imagem e o prestígio da classe. Têm de se organizar para na “luta” fazer valer os seus direitos adquiridos, façam uma greve, uma manifestação (eu vou e levo uma bandeira), não podem continuamente estar a  enxovalhar a dignidade dos nossos distintos e eloquentes tribunos.
Toda a gente hoje parece iluminada pelo direito (não estou a falar do divino, do Livro dos Juízes do velho testamento, em que os juízes eram chamados por Deus para libertar o povo eleito), invocar a constitucionalidade de qualquer acto tornou-se um lugar-comum, receita uniforme estandardizada para todas as maleitas do corpo e da alma (a constituição, a vaca sagrada, que o Medina profeta da desgraça de serviço, diz não pagar salários nem pensões). Ora eu também lá fui ao fundo da estante buscar o meu exemplar da quarta revisão de Setembro de 97, com prefácio e anotações da besta-quadrada do Jorge Lacão, para sustentar a minha proposta, diz a mesma no seu artigo 26.º ponto 1 (capítulo dos direitos, liberdades e garantias pessoais): “…e à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação.” Se isto não se trata de discriminação de uns titulares de órgãos de soberania em relação a outros, não sei como classificar, chamem o Marcelo, o Miranda e o Gomes Canotilho, os pais da Relíquia, chamem também as mães, os tios, os primos, e todos os que passaram pela honra de serem juízes deste ilustre e sublime tribunal.
Chegados aqui, ao Tribunal Constitucional, desengane-se o leitor (sim eu já sei que é só um) se tem a mesma percepção que eu, de ser talvez o órgão mais politizado desta 3ªRepública, os moços não são políticos apenas são nomeados por eles, nomeados pelos do costume e sempre com a solidariedade estreita a uma alternância saudável. O Magnifico Tribunal (perdoem-me a expressão será um defeito de academismo, perdoe-me também o Magnifico Reitor) composto por 13 Juízes (é tipo Cristo e os doze Apóstolos) em que 10 são designados pela Assembleia da República e 3 cooptados por estes (se tiverem pachorra é o artigo 222.º da Relíquia), 6 escolhidos entre juízes de outros tribunais e os restantes entre juristas.
Nesta equação de nomeação são cometidos três pecados mortais, a Soberba por quem nomeia, a Vaidade por quem é nomeado e a Gula por quem ganha milhões em pareceres jurídicos, essa teia mafiosa que continua a parir deputados discriminados, organizando a sua central de compras e operações a partir da sala do hemiciclo, da qual mais não digo, não me vá aparecer uma cabeça de cavalo à porta amanhã de manhã.
Esta constituição é como uma camisa que nunca nos serviu mas que nunca deixamos de usar, ficava-nos larga quando a compramos, depois ficou fora de moda e agora já nos fica apertada, mas nunca deixamos de a usar, usamo-la até o colarinho ficar gasto. Perdoem-me a veleidade intelectual mas a defesa deste modelo é um historicismo fundamentado na noção que a configuração do nosso mundo contemporâneo é o resultado dos processos de formação da revolução de Abril, quando a história é sempre passível de ser reconstruida à luz de novas compreensões da evolução dos factos e do encadeamento dos acontecimentos. Vivemos porventura um período pré revolucionário e continuamos a defender a “magna carta” da revolução que tem 40 anos…
Bem certo que já comprovei a validade do conteúdo da minha proposta, quero pois que a mesma seja levada a sério, tenho de arranjar uns activistas para fazerem umas petições nas redes sociais, teremos de arranjar também umas fotos de uns deputados magrinhos e tristes para dar força à campanha.
Tenho convivido mal com a “Union dos juízes” (com tudo que o significado do termo representa do outro lado do Atlântico), agora anunciarem que podem fazer greve, faz-me rir…
Eu sei que tenho uma imaginação fértil, mas tentem imaginar num futuro próximo, ou não, um sindicato dos Primeiros-ministros numa “manif”, o Passos á frente a segurar a faixa de um lado e o Sócrates do outro (com o livrinho da tese de baixo do braço), o Guterres a tocar tambor, o Santana de megafone, o Mário Soares de braço dado ao Anibal, com os fantasmas do Palma e do Gonçalves a comentar a efeméride aos jornalistas (não pensem que me esqueci do Durão, esse ia à frente a acalmar a brigada de intervenção da policia, como o mais oleoso destaca-se para esta função).
Enfim…isto só na Tugolândia…já agora e se fossem todos … (exacto é mesmo para aí)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Ignorante...



Tenho dado por mim a voltar a ler os clássicos da literatura portuguesa, dramaticamente actuais, dramaticamente quotidianos. É como se o Eça, o Ramalho, o Camilo e o Pessoa me visitassem num sono desperto mas pouco lucido, contando-me os devaneios das suas profecias embriagadas do amanhã, que tarda sempre em chegar. Vaticinam teorias e comentam cenários, numa narrativa inteligente e corrosiva, desmontam a sua sociedade que é a minha, alvitram conjecturas dúbias sobre certezas às que fecho os olhos com um sorriso lívido de dentes cerrados.
O Camilo há dias disse-me acerca de uma personagem, que era suficientemente ignorante para ter juízo, e não consigo esquecer esta frase…
Com a mesma tenho organizado quem me rodeia, e também a sociedade, em classificações entre o muito ajuizado e o caso perdido. Com a mesma tenho escrutinado todos os estágios temporais da minha existência, que tem oscilado entre a pureza cristalina da loucura e a letargia sossegada de breves momentos sisudos e ajuizados.
É um exercício de absolvição provar a nossa submissão à imperfeição, seres imperfeitos criados para o carrossel infinito da devoção, os desassossegados são os condenados, a punição é o poder de olhar para além da cerca, o poder de construir mundos e personagens que por serem inventadas são marionetas às quais é vedada a percepção sensorial.
Assim, fui militar e guerreiro sem ter travado qualquer guerra, sem ter ganho qualquer batalha. Fui poeta sem ter escrito qualquer verso, fui amante sem sentir qualquer afinidade ou respeito pelas sinergias das relações humanas, ou místicas ou outras quaisquer, sem sentir a volúpia carnal arrebatadora.
Fui bêbado quando era o próprio vinho que me mantinha agarrado à sobriedade e à cruel clarividência, fui um mar tenebroso que cabia numa malga de sopa, dada aos pobres por já estar azeda. Fui quase tudo, mas sem ter qualquer importância.
Importante é o que alavanca a partilha, a construção de momentos eternos, a alegria simples de não querer estar em mais lugar nenhum, de não pensar em nada, estar pura e simplesmente ali com um sorriso e uma caricia.
A mim já não me apetece construir nada, quero sempre estar noutro lugar, noutro espaço, noutro tempo. Não consigo parar de pensar, o meu cérebro é um turbilhão de ideias inócuas.
Eu também já construí a minha cidade, mas não a quis partilhar. Mantenho-a sempre alva e fria como o mármore, como uma sepultura que me engole.
 
Tenho que falar com o Camilo, acho que a felicidade advém da ignorância…

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Camaradas e Companheiros

O tema de hoje é o alívio, aquela sensação fantástica que sentimos ao cagar quando estamos à rasca, até o mais nobre dos cavalheiros e a mais distinta das damas já sentiu este alívio de uma boa cagada, aquelas cagadas desprendidas e libertadoras que transformam num trono qualquer cagadeira pública.

Afinal está tudo bem na Tugolândia.

Vamos lá ser sinceros, isto de eleições legislativas não dava jeito a ninguém, e não vejo o seu propósito, estamos a viver uma harmonia tal que até as Cagarras têm respeito pelo sono do Presidente Aníbal. Com tantos compromissos já assumidos que sentido fazia misturar legislativas com autárquicas?
Já passou o susto e a aflição, todos os partidos como já tinha vaticinado mostram-se fiéis às suas gentes, esta coisa do interesse nacional tem até a sua piada mas nunca quando o interesse dos camaradas e companheiros de partido está em causa, afinal já todos sabíamos que não tínhamos estadistas. Ficou toda gente feliz e satisfeita, agora entra a “silly season”, os papões dos mercados acalmam-se porque vão comer “pitas” para os países paradisíacos do terceiro mundo, o segundo resgate está negociado para depois do orçamento de estado, e os “comunas” que comem criancinhas podem continuar a berrar que exigem eleições e mais este mundo e o outro.
Ficaram todos os partidos com representação parlamentar a ganhar, a Tugolândia que espere que está bem como está!
Agora Camaradas e Companheiros temos que arregaçar as mangas, há dois meses de intensa campanha, todos na Luta! O país está bem e feliz e pode esperar vamos lá colar cartazes!
 
Não tem que haver qualquer preocupação pois o Presidente mantém os seus poderes constitucionais e gosta muito das Cagarras que também gostam muito dele.

Avante Camaradas e Força Companheiros!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tomates Coração de Boi

Meus caros leitores (sim estou a exagerar, é só um), vou esta noite escrever sobre hortícola, mais concretamente sobre tomates. Com todos sabem existem várias variedades de tomates, cada uma com as suas qualidades, benefícios e contraindicações.
O tomate cacho, o tomate cereja e entre muitos outros, o grande tomate Coração de Boi. Cada tomate Coração de Boi pode chegar a pesar quase um quilo, optimo para refugados, saladas e neste caso específico para grandes caldeiradas.
Todos nós pensávamos ao longo dos últimos meses que o Aníbal nosso Presidente na sua horta não tinha qualquer tipo de tomates, quando muito uns “tomatinhos” cereja, e somos agora confrontados com grandes tomates Coração de Boi.
Quero começar por dizer que pela primeira vez neste mandato senti que tinha valido a pena votar no Anibal, assumo que votei nele, se fosse uma questão “gay” estava a assumir que saia do armário. Quero dizer desde já que não acredito que vá sair nenhuma solução desta decisão e que devia ter ido mais longe nos seus poderes presidenciais avançando já para um governo de iniciativa presidencial, o momento que atravessamos é de tal forma urgente e critico que esta decisão peca por tardia, mas que nos deve mover para uma transversal união de salvação nacional e restauração da nossa soberania (mais ou menos, também não vamos chatear muito os gajos porque o cheque dá jeito).
Esta decisão comporta na minha humilde opinião (que pode mudar amanhã, ou seja é a modos que irrevogável) uma grande virtude, confrontarmo-nos pela primeira vez publicamente com os nossos eleitos partidários, pela primeira vez vai ser posta á prova a forma como servem a nação, como servem com vassalagem os poderes ocultos (que de ocultos já têm pouco pois isto já funciona tudo á descarada) e os seus pares nas várias agências de alavancagem dos seus quadros.
Os três partidos do arco da governação (os outros também não contam, falarei nisso amanhã) vão ser confrontados publicamente com este repto do Aníbal e vamos chegar á conclusão que neste momento estas estruturas partidárias e os seus quadros difundidos em todos os organismos de estado e afins são neste momento em si próprios o grande problema da nação, são eles o grande gerador de despesa pública e são eles que consomem a mais larga fatia dos recursos.
Não quero que pensem que defendo a elevação de um novo “Sidónio”, mas gostava que me demonstrassem que não vivemos já em ditadura, se não será só uma questão de semântica ou de figura de estilo. Nenhum deputado da nação me representa (não sei qual foi que eu elegi), todos eles representam os seus “cartéis” e os seus escritórios e directórios, o governo as autarquias são agências de colocação de quadros. Antes dos concursos públicos os contratos e as colocações eram efectivadas por nomeação, sabia-se quem nomeava e quem era nomeado responsabilizando ambos, nomeadores e nomeados, agora escolhe-se sempre o “primo” do “tio” do “irmão” e do “cunhado” (e daquele que deu o maior donativo para a campanha eleitoral), mas nunca se sabe quem tem a responsabilidade, como se fosse-mos todos a ter a responsabilidade democrática daquele tipo ir mamar na teta do estado (que secou).
A grande virtude desta decisão é deixar-nos confrontados com aqueles que elegemos, que se regem apenas pelo Principio de Peter (quem não esteja familiarizado pesquise no Google) e que infelizmente nos próximos dias nos vão brindar com um degradante espectaculo. A grande virtude da decisão do Aníbal vai ser demonstrar que temos de seguir outro caminho, é que já me parece que na primeira monarquia constitucional em 1822 era este retângulo da Tugolândia mais democrático que é hoje…

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O amor...


Tento manter o pensamento ocupado com inutilidades, prefiro esquematizar circunstâncias inalcançáveis e fúteis, deslumbrantes e confortáveis. Distraio-me com a mais pequena e vulgar conjectura de encenação, com uma borboleta sem cor, com um simples odor mais ou menos adornado. Invento mil dimensões improváveis que abraço sem as conseguir tocar e que aperto junto ao peito sentindo-as minhas uma fracção de tempo, como uma lagrima cristalizada em âmbar que quero fazer durar a eternidade.
Faço por entorpecer os sentidos, tento visualizar o infinito através de um nevoeiro cerrado que a minha mente não quer deixar dissipar, tudo porque já não quero estar comigo, sinto repulsa de conseguir olhar-me e ler-me, sonho em transformar-me num vagabundo a quem com displicência podia dar uma moeda e fazer desaparecer com um sorriso embriagado no rosto.
Não me apetece escrever sobre mim, assusta-me o quanto possa conseguir ser cruel, não quero explorar o meu lado negro com medo dos demónios que lá se escondem. Quero escrever sobre mundos, espaços e ternuras onde sei que não me vou encontrar. Vou escrever sobre o amor esta noite.
Vai ser um exercício de imaginar com os sentidos, vou vasculhar nas cinzas e tentar demonstrar que talvez ainda exista uma réstia de humanidade naquilo que me tornei.

Não sei nada sobre o Amor.
Será o amor o sentimento umbilical que une ascendentes e descendentes com um cimento á prova de todas as desvirtudes e caprichos, será o amor o sentimento maternal que nos faz sentir as criaturas mais especiais do universo e que depois nos deixa impreparados para amar?

Será o Amor a fúria carnal e animal de um orgasmo? Será o amor um olhar, será o amor um sorriso?
Uma vez apaixonei-me por um sorriso, era um sorriso fácil e generoso, natural e despido, era uma gargalhada harmoniosa que lhe deixava as narinas trémulas e dilatadas, como se sorve-se todo o ar do mundo, expirando-o depois mais doce. Era um sorriso que me iluminava, que dava sentido a todos os dias de uma vida, era um sorriso que me deixava em paz comigo.

Era Pedro e Inês.

sábado, 6 de julho de 2013

De Visita a D. Carlos - Entrada 1

“Temos o mundo nas mãos, mas Deus não nos deixa brincar com ele, procuramos insistentemente o mecanismo que constrói os sonhos e a sua propriedade, mas não é possível materializar a propriedade dos sonhos, eles pertencem á humanidade, são apenas o simples e natural pulsar da vida, alheios a vontades e desejos.
Atravessa-me o flagelo intelectual do fracasso e a falta de propósito transformou-se num fatídico e voraz sentido magnético de alcançar incansavelmente o fim.
O pior de estar perto do fim é a sensação de lucidez, ser lúcido é mais doloroso do que estar sóbrio, quase que sentimos o divino, e o próprio Deus deve sentir esse vazio e essa solidão, essa necessidade de chorar sem o conseguir afasta-nos da condição humana.
É quase cruel constatarmos que aqueles que mais nos magoam são aqueles que mais queremos e nos são mais próximos, são esses que na sua infinita boa vontade, nos transformam nos monstros que somos. Ao primeiro afecto o monstro, animal na génese, começa por dominar o seu território, no inicio a alimentação, depois o primeiro brinquedo, o primeiro sorriso, o primeiro beijo, o primeiro drama, a seguir multiplicam-se as varias concepções de conjunturas instáveis de amor, domínio e necessidade, prazer, controlo e afirmação. O monstro é um animal insaciável e egoísta.
Estranho estes pensamentos que me assolam nesta primeira entrada, talvez o medo da novidade, talvez agonias do passado, certo porem que hoje é o dia de um novo começo. Farei diariamente entradas neste diário, cumpro assim o compromisso assumido, é engraçado escrever num simples caderno, confesso que tenho dificuldade em escrever á mão, há anos que não escrevia usando um simples lápis, as novas tecnologias formataram-nos de tal forma que parece arcaico o uso do caderno e do lápis á luz de um simples candeeiro a azeite, confesso porem que o aroma é agradável e a ténue luz chega a parecer romântica.
Hoje foi o dia da minha chegada, sinto dores musculares generalizadas mas de resto sinto-me bem, a travessia foi acompanhada de perda de consciência mas estou a seguir o protocolo e a calendarização estudadas.
Talvez este seja o meu tempo e esta vinda a outro tempo seja o recuperar do tempo que desperdicei.”
Coimbra, 6 De Julho de 1906
Fechou o caderno num gesto vagaroso com o olhar perdido nas sombras projectadas pelo candeeiro, instintivamente pegou no maço de tabaco e tirou um cigarro que acendeu num gesto habituado, o fumo complacente adensou o ambiente misturando-se com a luz criando uma aura intensa no minúsculo quarto. Pegou na garrafa e verteu no copo de vidro baço o suficiente para cobrir o fundo, pousou a garrafa, olhou o rótulo da garrafa sorrindo, por de cima da marca BUSHMILLS, irish whisky, tinha a data de 1608, achava curiosa esta sobreposição de datas e de caberem todas no mesmo tempo.
Encostou-se na cama arrumando o lápis e o caderno na mesa-de-cabeceira e continuou inerte saboreando o fumo e acompanhando a sua libertação com algum conforto. Bebeu de um trago o copo como que na procura vertical de um prazer e pouso-o com displicência maravilhado pela luz quase espessa do candeeiro, os olhos voltaram a prender-se no caderno preto, ia ser o seu legado, nada mais iria deixar de si, tudo o resto fazia parte do projecto, mas a sua alma iria ficar agarrada aquele simples caderno.
A sua vida tinha toda sido pautada por excessos, na procura do prazer e de algum significado existencial, a procura sempre lhe trouxe um sabor épico de uma cruzada, sempre quis definir um propósito onde não existe propósito algum para além da própria procura, e essa procura esgota-nos e afasta-nos da realidade.
Poucos homens em todo o mundo teriam aceitado fazer parte desta investigação, procuraram alguém sem metas, alguém perto do fim, alguém que pela sua vivência fosse capaz de ter a motivação suficiente de querer mudar o rumo da história ou pelo menos gastar os seus últimos dias a tentar.
É um homem diferente, chegou aqui porque acredita que a piedade dói mais que a solidão.
Nasceu em 19 de Março de 1974, deram lhe o nome de Armando José da Costa Cabral, Armando que era o nome do Pai, José porque nasceu no dia de S. José, da Costa Cabral era o apelido de família, peso que tinha de carregar.

Amar te assim Perdidamente !!...Porque o amor vence todas as barreiras (ou não)


sexta-feira, 5 de julho de 2013

De volta à visita a D. Carlos

De volta á “Visita a D.Carlos”
Cá estou eu de volta á minha tentativa de projecto cientifico-literário, devo dizer desde já que em breve vou desistir do mesmo como aliás tenho desistido de tudo ao longo de um percurso atribulado de vida. Com facilidade perco o entusiasmo, depois do enamoramento e da paixão que me deixam deslumbrado vem o tédio, não suporto o tédio, aflige-me a rotina e sou avesso às responsabilidades, sou à falta de melhor definição, um adolescente de cabelos brancos.
Não me atrai propriamente a escrita de tal novela histórica mas sim todo o processo de pensamento imaginário que implica. O desafio coloca-se na capacidade de visualização de tal empreitada. Este exercício de imaginação dá me mais prazer do que a sua potencial criação, no acto da criação a fase de concepção da ideia é a mais pura, não depende de nenhum padrão pré definido, não depende de aprovação ou julgamentos de qualquer espécie, é a mais pura libertação de emoções onde só nos confrontamos com o que somos e esquecemos o que fomos, o que queríamos ser e o que poderíamos ter sido. A pureza cristalina de uma ideia fascina-me profundamente.
Já decidi que o tempo tem de ser alargado, têm que me enviar uns tempos antes para ter tempo de em tempo realizar a minha tarefa, existem inúmeras figuras da época que quero conhecer, quero visitar e revisitar espaços e teorias espaço temporais. Decidi pois que dois anos será o tempo suficiente, também não me quero apegar demasiado a outro período que não vivi, até os que vivi às vezes parecem ser de terceiros, parecem ser personagens secundárias imaginadas por uma divindade demente.
Posto isto, surge-me a primeira dúvida, tenho de ter um nome forte para o personagem principal (papel que vou personificar), podem pensar que não é importante mas neste momento parece-me crucial, tem de ter um nome forte, um nome que o defina pelo que representa. Para quem possa pensar que não é importante imaginem que lhe chamava Judas da Silva Negrão Albuquerque.
Analisando o nome e cada um dos apelidos em separado podemos chegar a várias conclusões, começando por Judas não tenho dúvidas que o sentimento que assaltava qualquer leitor seria traidor, mas o que se calhar poucos sabem é que Jesus Cristo tinha dois Apóstolos dos doze com o nome próprio de Judas, o Iscariotes e o Tadeu, o primeiro como todos sabem foi o do beijo da traição por trinta moedas, o que se calhar poucos sabem é que em relação ao segundo existem várias correntes de opinião Teológica, há os que defendem (corrente maioritária) que seria primo de Cristo, irmão de Tiago, e os mais criativos que acreditam que seria irmão do próprio Jesus Cristo. Assim sendo o nome de Judas devia ser conotado como um pilar de família, um irmão, um primo fiel, mas será isso que interiorizamos ao ouvir o nome Judas?
Falemos dos Silva, uma larga faixa dos leitores (desconfio que não são muitos… pronto o único que lê isto), vai associar ao Aníbal nosso Presidente, o apelido Negrão será associado ao eco das últimas nomeações, assim como Albuquerque neste dia nunca seria associado ao grande Afonso de Albuquerque.
Julgo que já provei a importância do nome a dar ao personagem principal, chegados aqui o meu pensamento vai para o Camilo, quem não se lembra do Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda? (isso sim é um nome de um personagem) Nenhum deputado poderia ser eleito (bem eles não são eleitos) sem provar que leu a Queda de um Anjo, (deviam fazer exame), infelizmente nos dias que correm não são as Ifigénias que corrompem os corações puros e ingénuos dos deputados da nação.
Tenho de amadurecer este raciocínio, ponderar bem a escolha.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Homem só...meu irmão...

Serve esta publicação para apresentar mais as minhas sinceras desculpas ao Grande Mestre Luis Goes, mas não resisti.

Homem Só!!!...Meu irmão....


terça-feira, 2 de julho de 2013

Que rico caldinho

Nunca a expressão “vamos nos ver gregos” fez tanto sentido. Quando eu ontem escrevi que tinha-mos resvalado no incerto e falei num fim de ciclo, não pensava que nos iriamos atirar do abismo no dia seguinte. Nada nos salva de um segundo resgate, os próximos tempos vão ser muito difíceis na Tugolândia, isto já não tem remédio…telefonem lá ao Medina Carreira para indicar a dona de casa que venha governar isto, pior não fica de certeza.
Vamos viver uma tragédia grega mas sem gregos… com tugas, vai ser o caos mas regado com uma pinga de azeite, umas azeitonas e um jarro de palheto.
O País Faliu, a Europa faliu. Entreguem isto de uma vez…
Agora estou curioso para ouvir o nosso Primeiro, aposto que ainda vai ter a lata de querer ficar, ficará um rico caldinho ele de braço dado ao Anibal…

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Adeus Gasparzinho ...


Adeus Gasparzinho…
Interrompo hoje a minha aventura cientifico-literária (bolas… comecei ontem…) para falar do tema do dia. Quem não se lembra do “fantasminha camarada”, simpático e bonacheirão? Nesta hora de despedida é a imagem mental que me fica de Gaspar Ex Ministro das Finanças, não que o considere simpático e muito menos bonacheirão, mas pela figura simbólica de um fantasma, que incorpora o medo e a incerteza de uma outra vida no além. Se efectivamente foram assustadores estes últimos dois anos, mais assustador me parece o cenário fantasmagórico que fica com a sua saída.
Resvalámos no incerto, escorregamos definitivamente num fim de linha, fim de ciclo …
Coitado do Seguro, deve ter o rabo tão apertadinho com a aflição que nem um caroço de azeitona lá passa, nesta altura antes das Autárquicas têm que convir que isto não dá jeito nenhum, embora a escolha desta ministra por parte do nosso Primeiro seja um acto de desespero tal, que tenho dificuldade em transforma-lo em algo alegórico, apenas comparo o sentimento que o pobre deve sentir, aquele que eu sentia cada vez que calhava na equipa (quando em miúdo jogava á bola) aquele puto filho do barbeiro que não jogava nadinha, mas tinha que ser porque mais ninguém queria vir para a minha equipa, acontecia sempre que não era o dono da bola, quando levava a minha bola….ahhh escolhia sempre o Chico preto que corria como ó caralho….
Quem sai a ganhar são os do costume que gerem os cadernos de encargos dos interesses, e não pensem que me estou a referir aos grandes interesses, á banca e aos monopólios, refiro-me aos pequenos tratos de zés da esquina, aos favorzinhos, às negociatas e ao lugarzito para o primo da cunhada do vizinho do 5º esquerdo. Aqui na Tugolândia toda gente conhece alguém que até conhece o “gajo” que está a fazer as listas. O grande cancro da Tugolândia são as estruturas partidárias e a forma como são geridos os interesses dentro dos partidos, se há gente a abrir garrafas de champagne elas certamente pertencem às várias concelhias do maior partido da coligação do governo…A esta hora o Relvas já ligou a todas e ainda não dever ter conseguido parar de rir…
Voltando ao Gaspar e porque me apetece fazer de advogado do diabo, coitado também não tem sorte nenhuma, é primo do Francisco Louçã. Isto das famílias sempre me intrigou, sempre dei por mim por exemplo a imaginar como seria um jantar de natal da família Portas (Infelizmente um dos irmãos já falecido, não sei se o certo), a pobre da mãe a dizer “Ó Miguel lá vens tu outra vez com essa tshirt do barbudo da boina, veste uma camisinha do teu irmão!” com a “boazona” da irmã a rir-se (lá estou eu a fantasiar coisas…confesso que sempre tive um fraquinho pela Catarina). Como estava a dizer quero defender o Gaspar, temos de admitir que muito embora errado (ou não) ele estava convicto do caminho, e seguiu por ele sem desvios, são qualidades raras aqui pela Tugolândia.
Francamente espero que estes dois penosos anos de sacrifício não tenham sido em vão, espero que a história não venha a demonstrar que afinal o Gaspar (desgastado e derrotado pelos seus) afinal até tinha razão, isto ás vezes de ser advogado do diabo leva-nos a que o mesmo ganhe a causa…coisas do diabo e dos fantasmas…sim o fantasma do Gasparzinho vai continuar por ai…
E por falar em história e novamente em fantasmas (fantasmas do passado) temo que a situação na Tugolândia se venha a agravar de tal maneira que a solução do povo venha a ser voltar a arranjar um ditador a sério, que de pequenos ditadores já estamos fartos…Bem com essa me fico e vou beber uma mini á saúde do Gasparzinho (não vá começar a escrever merdas sérias que são como o diabo, mais vale nem se falar dele não vá estar a ouvir, já diz o ditado tuga, “longe da vista longe do coração”), espero não ter saudades tuas Gasparzinho “Fantasminha camarada”…
Eu sei, eles não te compreendem e gozam contigo com o Almanaque Borda D’Agua, claro que foi a chuva e o vento, são uns rústicos, até o cabrão do “Camone” se escavacou a rir contigo… tens razão não se faz…
Vá… não fiques assim… até tem estado um solzinho, aproveita a ver se arrebitas que andas pálido, vai ao Meco apanhar uma “corezinha”, esquece essa gorda que não é mulher para ti…

domingo, 30 de junho de 2013

De visita a D. Carlos


Hoje acordei com uma estranha sensação de lucidez, como se a ressaca fosse um propósito e não um efeito colateral. Acordei com a convicção de ter dissecado a realidade, como se a mesma fosse composta por vários universos paralelos sobrepostos em camadas, como uma cebola imensa e infinita.
A realidade e a imaginação confundem-se e confundem-me, fico sem saber qual é a mais real ou qual é mais fingida.
Tomei a decisão de escrever um livro, pode ser a solução para esta esquizofrenia melancólica que me invade, pode trazer algum conforto a esta ansiedade revisitada vezes sem conta, a um estado quase sonâmbulo e letárgico que empurra uns dias atrás dos outros. Já decidi qual o título e o enredo principal, vou chamar-lhe “De visita a D. Carlos”. Vou contar uma aventura cientifico-literária de um individuo escolhido pelas piores razões para ser o mensageiro do infortúnio.
Como estamos em crise decidi também escrever o livro em duodécimos.
Para que os caros leitores não se deem ao trabalho de comprar o livro e á maçada de ter de o ler vou resumi-lo desde já. Numa cidade algures por aí num tempo contemporâneo uns cientistas iluminados inventaram uma máquina de viajar no tempo, com o objectivo de salvar a nossa gloriosa nação (decadente e nobre desde mesmo antes da sua criação) e escolheram-me a mim para viajar no tempo e ir avisar D. Carlos antes do regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, de forma evitar o atentado criando um futuro diferente (não digo melhor apenas diferente).
Não haverá tuga que se preze que não preferisse ter a Dona Isabelinha como Rainha em vez da actual primeira-dama, é mais nova, é mais charmosa e também é devota da Senhora de Fátima. Mas tal não aconteceria pois avisado D. Carlos não ocorria o regicídio e nunca viria a ser assinado o Pacto de Dover mantendo-se até hoje no trono a linhagem do Infante Luís Filipe (sabe-me bem acreditar nisso).
Para que não fiquem a pensar que bati com a cabeça em algum móvel ou que ando a fumar substâncias ilegais, vou explicar as razões da escolha do tempo e do enredo. Por um lado vou escrever sobre uma época que considero muito similar aos dias que vivemos, viviam em bancarrota, tinham perdido practicamente a soberania perante os credores, já ninguém acreditava no regime e o país era pobre e medíocre. Por outro lado tenho a secreta esperança que algum assassino psicopata posso ler o que escrevo e fique com ideias, possa ser esta minha narrativa sem nexo uma inspiração para bombas na Assembleia, assaltos a bancos, motins e caça aberta ao “Coelho” e às muitas “lebres” que andam por ai.
No entanto estou farto de matutar numa coisa, depois de ter sido governado pelo José Socrates, pelo Passos Coelho e do próximo certamente vir a ser o Seguro, que argumentos posso utilizar para convencer D. Carlos a demitir o João Franco?....
Vou pensar nisso…

sábado, 29 de junho de 2013

Tuga Banal



Sou um Tuga banal...não gosto de banalizar a futilidade do drama de ser banal, mas cheguei á conclusão que sou mesmo um tuga mediano e particularmente habituado á agilidade de baixar as calcinhas e culpar os americanos ou os chinos, ou outros que tais, desde que me deixem beber umas minis, praguejar que está tudo errado e dizer em tom grave e sisudo (sim os tugas banais também são sisudos) que estou mesmo aborrecido com tudo isto.
Sou um Tuga banal...estou falido...as finanças penhoraram-me a casa, as contas do banco, o cão e o periquito (e não tenho cão) só não me penhoraram a sogra porque a minha alma gémea pôs-se na alheta a tempo e horas não fosse isto dar para o torto.
As mulheres embora que também banais são mais astutas e profundas conhecedoras da geologia e dos solos em geral, sabem sempre quando isto se torna em chão que já deu uvas (há quem prefira a expressão que a “teta secou”, mas a mim lembra-me aquela musica do Quim Barreiros da cabritinha e faria me sentir talvez menos banal, mas muito mais tuga... e isso aborrece-me).
 Sou um tuga banal...ando aborrecido com a vida, com o filho da puta do vizinho que estaciona sempre o carro no meu lugar, ando aborrecido de andar sempre teso (na minha idade isso não ajuda na arte da sedução), ando aborrecido com as prestações de tudo e mais alguma coisa, com os bancos e os banqueiros e bancários e afins…
Sou um tuga banal...ando aborrecido com a economia nacional e especialmente com minha micro economia (tal qual como diria o sr. Doutor xpto num comentário em noticiário da especialidade).
A minha mãe diz que isto é mau olhado ou inveja (inveja de que? da tuguice ? da banalidade ? ou da desgraçada “rameira maluca”  que se foi embora fazer infeliz outro qualquer??) mas o Sr. Curandeiro já garantiu que isto com umas rezas vai ao sitio.

Sei que estou a ficar repetitivo, mas sou mesmo um tuga banal e ando aborrecido, até já ando aborrecido de andar aborrecido que tenho dado por mim a pensar numa frase escrita por um general romano ao seu imperador Caio Julio César (não sei se retire esta frase do texto, ainda ficam com a ideia errada que sou um tuga banal intelectual ou estudioso) que dizia assim:

- “Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho que nem se governa nem se deixa governar”. 
Ora muito bem, o senhor General devia estar a falar da gente (já na altura o tipo devia ser consultor de uma agência de rating do império romano).
Mas eu, o tuga banal, não concordo com a afirmação, se é verdade que não nos governamos (quem tiver dúvidas ligue ao professor José Hermano Saraiva lá para o outro mundo), já não é verdade que não nos deixamos governar, toda a gente nos tem governado, abrimos as perninhas sempre que alguém diz que poderá a vir a governar-nos, tragam o “guito” e aqui na Tugolandia governam á vontade.
O melhor exemplo que me ocorre é os ingleses que nos governaram séculos, não há no mundo vaselina que chegue para tantos anos, os americanos descolonizaram-nos, (corria-mos o risco de ser comunas e comer as criancinhas) (não sei como na escrita se mete um parêntesis dentro de outro mas não quero que fiquem a pensar que sou comuna, ora bolas sou um tuga banal, naturalmente que sou conservador e muito embora não goste muito do Paulinho lá meti o meu voto á falta de melhor)).
Agora a UE faz o que quer e nós latimos baixinho não vão lá os gajos esquecer-se de mandar o cheque prá malta.

Pois é, volto a dizer...sou um tuga banal...estou a viver um tempo de aflição, mas um amigo de família já me disse que meteu uma cunha para me arranjar um emprego como vigilante nocturno, sempre é mais algum (já dizia o zé povinho, quando estamos mal até os cães nos mijam (urinam para ser educado) nos pés).
Eu sempre tive fé, talvez uma fé banal, mas sempre acreditei no Jesus...mas até ele me falhou... Desgraçado!
Foi a taça, o campeonato e a porra da liga Europa.

Bem já estou cansado de dizer mal, e tuga banal que se preze vai mas é beber uma mini! (até nisso somos pequenos, o irlandeses e ingleses e alemães bebem girafas de litro, a gente contenta-se com umas minis, valha-nos ao menos os espanhóis que só têm cerveja de merda, merda não...caca.).

Sou um Tuga banal... Mas… enfim, talvez D. Sebastião volte (ou não) e já dizia o Pessoa (tenho dado por mim a comparar o Fernando Pessoa ao Jorge palma) que mais que tudo isto é Jesus Cristo, que não sabia nada de finanças nem consta que tivesse biblioteca.

Sou eu o tuga banal

Declaração de intenções


Para que não se criem espectativas começo por dizer que provavelmente desisto disto já amanhã ou talvez numa quinta-feira qualquer, se começar efectivamente a escrever será sempre com a profundidade de um soneto do Bocage e a tentativa quase inalcançável da elegância narrativa das letras do Quim Barreiros.

A minha primeira declaração de intenções é que me estou literalmente a “cagar” para o novo acordo ortográfico (já sei não é educado dizer cagar, as pessoas finas não cagam, defecam).

Ao vosso dispor,

O tuga banal